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Home Notícias Economia

Fim da “taxa das blusinhas” divide indústria, varejo e plataformas digitais

Governo zera imposto de importação para compras de até US$ 50 e reacende debate sobre impacto no comércio nacional

Por Redação
13 de maio de 2026 - 09:58
em Economia
Fim da “taxa das blusinhas” divide indústria, varejo e plataformas digitais

Crédito: Rafa Neddermeyer / ABR

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A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 provocou forte reação de entidades da indústria e do varejo brasileiro, enquanto plataformas de comércio eletrônico comemoraram a medida.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passa a valer a partir desta quarta-feira (13). Com a mudança, permanece apenas a cobrança de 20% de ICMS, tributo estadual aplicado sobre as encomendas internacionais.

A cobrança federal de 20% havia sido criada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme e ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, por atingir compras feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

Indústria fala em ameaça à produção nacional

A reação mais dura veio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que classificou a medida como uma vantagem concedida a fabricantes estrangeiros em prejuízo da produção brasileira.

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Segundo a entidade, micro e pequenas empresas devem ser as mais afetadas, com risco de fechamento de negócios e perda de empregos.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) também criticou a decisão e afirmou que o fim da cobrança amplia a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados.

A entidade alertou para possíveis impactos sobre vendas, reposição de estoques e investimentos da indústria nacional.

De acordo com o instituto, após a criação da tributação em 2024, o setor registrou abertura de 107 mil empregos no primeiro ano, além de crescimento de investimentos e produtividade.

Setor têxtil reage

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a decisão como “extremamente equivocada”.

Segundo a entidade, empresas brasileiras enfrentam elevada carga tributária, juros altos e custos regulatórios, enquanto plataformas estrangeiras passam a ter ainda mais vantagens competitivas no mercado nacional.

A associação também chamou atenção para o impacto na arrecadação pública.

Dados da Receita Federal do Brasil apontam que a tributação gerou R$ 1,78 bilhão entre janeiro e abril de 2026, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) afirmou “repudiar com veemência” o fim da cobrança e classificou a medida como um “grave retrocesso econômico”.

Segundo a entidade, a decisão ameaça diretamente empresas brasileiras e os cerca de 18 milhões de empregos ligados ao setor.

Parlamentares também criticam

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também reagiu negativamente à decisão.

O presidente da frente, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmou que não há competição equilibrada quando empresas nacionais pagam carga tributária elevada enquanto produtos importados entram sem imposto federal.

Plataformas comemoram decisão

No sentido oposto, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, comemorou o fim da tributação.

Segundo a entidade, a cobrança criada em 2024 era regressiva e afetava principalmente consumidores das classes C, D e E.

A associação argumenta que a medida reduzia o poder de compra da população e não produziu os efeitos esperados para fortalecer a competitividade da indústria brasileira.

Governo cita combate ao contrabando

Durante a assinatura da medida provisória que zerou o imposto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a decisão foi possível após avanços no combate ao contrabando e na regularização das plataformas internacionais.

O governo manteve a tributação de 60% para compras acima de US$ 50.

A mudança reacende o debate entre estímulo ao consumo, competitividade da indústria nacional e equilíbrio tributário no comércio eletrônico internacional.

Tags: economiaimportaçãoindústriaLulaSheinShopeetaxa das blusinhasvarejo
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