Ao assumir nesta terça-feira (12) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Nunes Marques fez um discurso marcado pela defesa das urnas eletrônicas, pelo combate à desinformação e pela reafirmação da soberania do voto popular diante das eleições presidenciais de 2026.
Em tom político e institucional, o novo presidente da Corte afirmou que a democracia brasileira continuará sendo construída “pela vontade livre e soberana do povo brasileiro” e declarou que a principal missão do tribunal será garantir eleições limpas, transparentes e protegidas contra manipulações digitais e campanhas de desinformação.
A posse ocorre em um cenário de forte polarização política e crescente preocupação do Judiciário com o uso de inteligência artificial, fake news e ataques ao sistema eleitoral brasileiro.
Defesa direta das urnas eletrônicas
Um dos pontos centrais do discurso foi a defesa enfática do sistema eletrônico de votação brasileiro, frequentemente alvo de ataques e teorias conspiratórias nos últimos anos.
Nunes Marques classificou as urnas eletrônicas como um “patrimônio institucional da democracia brasileira” e afirmou que o sistema nacional de votação é atualmente um dos mais avançados do mundo.
Segundo ele, a Justiça Eleitoral tem a obrigação de preservar e fortalecer a confiança pública no processo de votação.
“O voto popular, para além de um mecanismo de escolha de governantes, é uma declaração moral de fé na igualdade entre os seres humanos”, afirmou o ministro durante a cerimônia.
O novo presidente do TSE também destacou que a evolução constante do sistema eleitoral é justamente um dos fatores que garantem sua credibilidade e segurança.
Fake news e inteligência artificial no radar
Nunes Marques também direcionou parte importante de sua fala aos desafios provocados pelo avanço da inteligência artificial nas campanhas eleitorais.
Segundo o ministro, a disseminação deliberada de informações falsas representa uma ameaça concreta ao processo democrático e exigirá atuação firme da Justiça Eleitoral durante o próximo pleito.
Ele afirmou que as novas tecnologias ampliam o debate público, mas também podem ser usadas para manipulação política e ataques à liberdade de escolha do eleitor.
“O futuro da nossa democracia não será delineado por máquinas”, declarou.
O magistrado defendeu ainda que o eleitor tenha acesso amplo à informação e liberdade plena para decidir seu voto sem influência de pressões políticas, econômicas ou campanhas de desinformação organizadas.

Posse marcada por presença política
A cerimônia ocorreu no plenário do TSE, em Brasília, e reuniu autoridades dos Três Poderes, além de representantes diplomáticos, integrantes do Judiciário e convidados.
Estiveram presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Nunes Marques substitui a ministra Cármen Lúcia no comando da Corte Eleitoral e terá mandato até maio de 2028.
O vice-presidente do tribunal será o ministro André Mendonça.
Eleições de 2026 serão principal teste
A nova gestão do TSE será responsável por conduzir as eleições gerais de 2026, consideradas estratégicas pelo Judiciário diante do ambiente político de radicalização e da ampliação do uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais.
Nos bastidores do tribunal, ministros avaliam que o próximo pleito deve representar o maior desafio já enfrentado pela Justiça Eleitoral no combate à desinformação digital e à manipulação de conteúdo político nas redes sociais.






