As promessas feitas pelo prefeito de Itabira-MG, Marco Antônio Lage (PSB), envolvendo a utilização da linha férrea da Vale desapareceram do debate público após as campanhas eleitorais e seguem sem qualquer avanço concreto apresentado pela administração municipal.
O projeto do metrô urbano, anunciado durante a campanha de 2020 como uma solução capaz de revolucionar a mobilidade urbana da cidade, nunca saiu do discurso eleitoral. Já o jardim linear prometido durante a campanha de reeleição, em 2024, seguiu o mesmo caminho e também ficou apenas no papel.
Na disputa eleitoral de 2020, Marco Antônio prometeu transformar a linha férrea da Vale em um sistema de metrô urbano com entre seis e oito estações, ligando o bairro Campestre até a região do bairro Praia.
Em uma live transmitida em sua página oficial na semana que antecedeu as eleições, o então candidato descreveu o projeto em detalhes e afirmou que a implantação seria simples devido à existência da estrutura ferroviária da mineradora dentro da cidade.
“A gente tem um projeto de fazer um metrô em Itabira, é verdade, e é fácil fazer. Nós temos toda a linha férrea da Vale que circula a cidade”, declarou Marco Antônio durante a transmissão.
Na mesma live, o então candidato afirmou que o município precisaria apenas negociar com a Vale para utilizar a estrutura já existente.
“O mais caro já está lá gente, é só a gente fazer uma bela negociação com a Vale, já está a linha férrea circulando”, afirmou.
Marco Antônio também detalhou como funcionaria o sistema de transporte prometido durante a campanha.
“Dá para fazer de seis a oito estações pegando do Campestre e indo até a Praia. Nosso metrô está pronto gente!”, disse o então candidato.

Na apresentação do projeto, Marco Antônio prometeu estações inspiradas em modelos europeus, com espaços culturais e arquitetura diferenciada.
“Vamos fazer umas ‘estaçõeszinhas’ lindas. Claro que a gente faz uma coisa simpática, bonita, pitoresca com estações culturais, com pequenas estações como na Europa”, afirmou.
O então candidato ainda prometeu rapidez no deslocamento entre bairros da cidade e redução nos custos do transporte público.
“Você vai sair do Campestre e com 15 minutos a pessoa está na Praia já. […] Pode ser até tarifa zero um metrô desse”, declarou.
A proposta ganhou forte repercussão durante a campanha e foi amplamente divulgada em entrevistas, redes sociais e materiais eleitorais. O projeto acabou se tornando uma das promessas mais comentadas da eleição municipal daquele ano.
Após a vitória nas urnas, porém, o metrô desapareceu completamente do discurso oficial da Prefeitura.
Durante todo o primeiro mandato, a administração municipal não apresentou estudos técnicos, projetos executivos, cronograma de implantação, licenciamento ambiental ou qualquer anúncio formal envolvendo autorização da Vale para utilização da ferrovia.
Já na campanha de reeleição, em 2024, o prefeito abandonou o discurso do metrô e passou a defender uma nova proposta para o mesmo espaço: a criação de um jardim linear ao longo da linha férrea.
O novo projeto previa ciclovias, pistas de caminhada, áreas de lazer, espaços esportivos e convivência urbana ao longo da estrutura ferroviária que corta a cidade.
Questionado por eleitores sobre a promessa do metrô feita em 2020, Marco Antônio afirmou durante a campanha que não havia prometido efetivamente a implantação do sistema, classificando a declaração anterior apenas como um comentário.
Depois da reeleição, o jardim linear também deixou de ser mencionado publicamente pela administração municipal.
O Folha de Minas procurou a Vale para questionar se existiu alguma negociação entre a mineradora e o prefeito envolvendo as propostas apresentadas durante as campanhas eleitorais. A empresa preferiu não comentar o assunto.
Enquanto as promessas feitas à população seguem sem execução, o grupo político do prefeito já se movimenta para as eleições de 2026.
Nos bastidores políticos, a prioridade do grupo de Marco Antônio passou a ser a construção da candidatura de sua esposa, Raquell Guimarães, a deputada estadual.
Segundo informações apuradas pelo O Folha de Minas junto a integrantes ligados ao grupo político do prefeito, a articulação eleitoral vem sendo construída desde o primeiro mandato, com alianças políticas em cidades da região e em outros municípios mineiros.
Aliados afirmam que a estratégia é transformar Itabira na principal base eleitoral da futura candidata e que a campanha deverá apostar novamente em projetos, promessas e discursos voltados diretamente ao eleitorado itabirano.
O espaço segue aberto para manifestação do prefeito Marco Antônio Lage e da Prefeitura de Itabira sobre os temas abordados na reportagem.






