A indústria automotiva brasileira registrou em março o melhor desempenho em produção desde 2019, sinalizando uma recuperação mais forte do que o esperado para o setor em 2026. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores apontam que foram produzidas 264,1 mil unidades no mês, entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões.
O volume representa um salto de 35,6% em relação a março do ano passado e avanço de 27,6% na comparação com fevereiro, consolidando o melhor resultado para um mês de março desde 2018.
O bom desempenho foi puxado principalmente pela demanda interna. Os emplacamentos somaram 269,5 mil veículos no mês — melhor resultado para março desde 2013 e o maior volume mensal desde dezembro de 2014.
Na comparação anual, as vendas cresceram 37,8%, enquanto frente a fevereiro o avanço foi ainda mais expressivo, de 45,5%. No acumulado do primeiro trimestre, já são 625,2 mil veículos vendidos, alta de 13,3%.
O resultado indica retomada do consumo, com impacto direto na atividade industrial, geração de empregos e cadeia produtiva.
No acumulado de 2026, a produção chegou a 634,7 mil unidades, crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o desempenho superou as projeções iniciais, mas ainda exige cautela.
“O desempenho surpreende, mas ainda não é tempo de comemorar”, afirmou.
Petróleo e cenário global preocupam
Apesar do ritmo positivo, o setor acompanha com atenção o cenário internacional, especialmente os reflexos da instabilidade no Oriente Médio sobre o preço do petróleo.
Oscilações no custo do combustível afetam diretamente toda a cadeia automotiva — desde a produção até o transporte e o preço final ao consumidor.
Essa preocupação se soma a outros fatores externos, como custos logísticos e câmbio, que podem influenciar o desempenho nos próximos meses.
Caminhões ainda enfrentam dificuldades
O segmento de caminhões apresentou leve recuperação, com 8,8 mil unidades vendidas em março, alta de 31,9% sobre fevereiro.
Apesar disso, o volume ainda é 6,2% menor que o registrado no mesmo mês de 2025, refletindo um cenário ainda desafiador para o transporte de carga.
A melhora recente foi impulsionada pelo programa federal Move Brasil, que incentiva a renovação da frota com condições de financiamento mais atrativas.
Exportações crescem, mas importações avançam mais
As exportações somaram 40,4 mil unidades em março, crescimento de 21,1% sobre fevereiro e leve alta de 1,1% na comparação anual.
Já as importações avançaram em ritmo mais acelerado, com 47,3 mil veículos — aumento de 25,7% em relação a março de 2025.
Mesmo com o cenário de incerteza global, a Anfavea manteve a previsão de crescimento para 2026.
A expectativa é de alta de 3,7% na produção de veículos ao longo do ano e avanço de 2,7% nos licenciamentos.






