O governo brasileiro decidiu revogar o visto concedido ao assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie após constatar inconsistências nas informações apresentadas sobre o motivo da viagem ao país. A decisão foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e ocorre em meio à controvérsia envolvendo a tentativa do norte-americano de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília.
Segundo informações encaminhadas pelo Itamaraty ao Supremo Tribunal Federal (STF), o assessor teria solicitado o visto alegando que participaria do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em São Paulo. No entanto, autoridades brasileiras verificaram que o nome de Beattie não constava na programação oficial do evento.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores informou que o assessor norte-americano não havia solicitado reuniões com autoridades do governo brasileiro nem apresentado agenda diplomática formal durante a viagem.
Diante desse cenário, integrantes do governo passaram a considerar que a presença de Beattie no Brasil teria como objetivo principal visitar Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, onde o ex-presidente cumpre pena após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Visita foi barrada pelo STF
O pedido para que o assessor norte-americano visitasse Bolsonaro havia sido apresentado pela defesa do ex-presidente ao STF. A autorização chegou a ser analisada pela Corte, mas acabou negada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na decisão, o magistrado afirmou que a visita não estava vinculada ao objetivo diplomático informado no pedido de visto e tampouco havia sido comunicada previamente às autoridades brasileiras.
Governo cita omissão de informações no pedido de visto
Fontes do governo brasileiro informaram que a revogação do visto ocorreu após a constatação de omissão ou informações incorretas sobre o propósito da viagem. Segundo autoridades, houve “omissão e mentiras sobre o objetivo da visita” no processo de solicitação do visto.
Após a repercussão do episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o assunto e lembrou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e membros de sua família tiveram vistos revogados pelos Estados Unidos em 2025.
Na ocasião, o governo norte-americano cancelou os vistos da esposa e da filha do ministro. O visto de Padilha já estava vencido e não foi renovado.
Durante agenda pública, Lula afirmou que o assessor norte-americano só poderá entrar no Brasil quando a situação do ministro brasileiro for regularizada.
“Ele só poderá vir ao Brasil quando liberarem o visto do meu ministro da Saúde”, declarou o presidente.
A revogação do visto ocorre em um contexto de episódios recentes de atrito entre Brasília e Washington, incluindo sanções e cancelamento de vistos envolvendo autoridades brasileiras e norte-americanas nos últimos anos.
Apesar da controvérsia, interlocutores do governo brasileiro avaliam que a situação faz parte da dinâmica normal das relações diplomáticas entre países, nas quais decisões envolvendo vistos e autorizações de viagem podem ser revistas quando surgem inconsistências nas informações apresentadas.






