O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital DF Star no fim da tarde desta quinta-feira (1º), após pouco mais de uma semana de internação em Brasília. Ele foi encaminhado de volta à custódia da Polícia Federal, onde permanece preso desde novembro, após condenação pela tentativa de golpe de Estado.
A saída do hospital ocorreu por volta das 18h40, quando um comboio formado por batedores da Polícia Militar do Distrito Federal e veículos descaracterizados deixou a garagem da unidade médica, localizada na Asa Sul, região central da capital federal. O trajeto até a Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro cumpre pena, durou poucos minutos.
Bolsonaro estava internado desde a quarta-feira (24), quando foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante o período de recuperação, a equipe médica avaliou também um quadro persistente de soluços, associado a complicações gastrointestinais decorrentes da facada sofrida em 2018.
Na quarta-feira (31), o ex-presidente passou por uma endoscopia digestiva alta. O exame confirmou a persistência de esofagite e gastrite, mas os médicos apontaram melhora clínica e redução das crises de soluço, o que permitiu a programação da alta para esta quinta-feira.
Retorno à custódia
Com a liberação hospitalar, Bolsonaro retornou imediatamente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo Supremo Tribunal Federal em decorrência da condenação pela articulação da trama golpista que tentou impedir a posse do presidente eleito em 2022.
Ainda na manhã desta quinta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou novo pedido da defesa do ex-presidente para conversão da prisão em regime domiciliar, sob alegação de natureza humanitária.
Na decisão, Moraes afirmou que a solicitação não apresentou fatos novos capazes de modificar entendimento anterior, proferido em dezembro de 2025.
“A defesa não apresentou fatos supervenientes que pudessem afastar os motivos determinantes da decisão de indeferimento do pedido de prisão domiciliar humanitária”, registrou o ministro.
O magistrado reforçou que continuam autorizados o acesso integral da equipe médica responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro, incluindo fisioterapeuta, além do fornecimento de medicamentos e da entrega de alimentos preparados por familiares, conforme regras já estabelecidas.
Contexto
Bolsonaro foi condenado pelo STF após investigações apontarem sua participação direta em ações para desacreditar o sistema eleitoral e pressionar comandos militares com o objetivo de anular o resultado das eleições presidenciais de 2022. A decisão judicial também levou em conta a escalada de atos antidemocráticos que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.






