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Home Notícias Brasil

7 de Setembro reúne chefes dos Três Poderes em Brasília em meio à crise no STF

Desfile teve soberania como tema central, homenagens às mulheres e à Copa feminina; Lula não discursou durante cerimônia, mas na véspera afirmou que Brasil “não será colônia de ninguém”

Por Redação
7 de setembro de 2026 - 13:10
em Brasil
7 de Setembro reúne chefes dos Três Poderes em Brasília em meio à crise no STF

Foto: Lula Marques/ABR

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O tradicional desfile cívico-militar de 7 de Setembro reuniu nesta segunda-feira (7), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, os presidentes dos Três Poderes em uma demonstração de unidade institucional justamente no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma das maiores crises recentes, provocada pelas revelações envolvendo o caso Banco Master.

Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanharam a cerimônia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do STF, Edson Fachin.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também ocupou a tribuna de honra, assim como a primeira-dama, Janja da Silva, ministros de Estado, integrantes das Forças Armadas e outras autoridades.

A presença de Fachin teve significado político especial. Todos os ministros do Supremo foram convidados para a cerimônia, mas apenas o presidente da Corte compareceu.

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Alexandre de Moraes e André Mendonça, protagonistas das acusações que elevaram a tensão dentro do STF nos últimos dias por causa das investigações relacionadas ao Banco Master, não estiveram no desfile.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, outro personagem citado nos documentos que alimentaram a crise, compareceu. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não participou.

Lula chegou por volta das 9h10 acompanhado de Janja. Depois da execução do Hino Nacional, autorizou o início do desfile, que terminou por volta das 11h15.

Durante a cerimônia, Lula e Alcolumbre foram vistos conversando e trocando risadas. Fachin também conversou com autoridades na tribuna. A imagem contrastou com o ambiente de tensão dos últimos dias em Brasília.

Nos bastidores, Lula havia defendido a presença dos chefes dos demais Poderes justamente como uma demonstração de que Executivo, Legislativo e Judiciário mantêm o diálogo apesar da crise institucional.

Soberania marcou pronunciamento de Lula

Lula não fez discurso durante o desfile desta segunda-feira.

A manifestação presidencial relacionada às comemorações da Independência ocorreu na noite anterior, em pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e televisão.

A soberania nacional foi o principal eixo da fala.

“Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender”, afirmou o presidente.

Lula também elevou o tom ao falar da relação do Brasil com outras potências e declarou que o país não aceitará interferências externas.

“Não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil, novamente, em colônia. Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, disse.

O discurso ocorre em um momento de tensão nas relações internacionais e também em plena campanha eleitoral. Lula disputa a reeleição em outubro.

O presidente associou soberania não apenas à política externa, mas ao controle brasileiro sobre recursos considerados estratégicos. Citou petróleo, minerais críticos e terras raras e defendeu que essas riquezas sejam utilizadas para gerar desenvolvimento, tecnologia e empregos no país.

Lula também relacionou o conceito de independência a políticas sociais, educação, saúde, redução das desigualdades e melhores condições de vida para a população.

A discussão sobre a jornada de trabalho também apareceu no pronunciamento. O tema ganhou ainda mais visibilidade durante o desfile, quando parte do público próximo à tribuna de autoridades gritou “fim da 6×1”.

A manifestação ocorreu diante de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, onde a proposta que reduz a jornada semanal e abre caminho para o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso aguarda análise do plenário.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR

Soberania, mulheres e futebol feminino

O desfile deste ano foi organizado em torno de três eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”, proteção de meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no país.

O primeiro bloco reforçou o conceito de soberania nacional adotado pelo governo nas comemorações da Independência.

Outro segmento destacou o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, tema que ganhou espaço após o lançamento de um pacto nacional envolvendo os Três Poderes.

A Copa do Mundo Feminina também recebeu destaque. O Brasil sediará pela primeira vez o Mundial feminino da Fifa em 2027, e o evento foi incorporado às comemorações como forma de promover a competição.

A programação manteve ainda os elementos tradicionais do 7 de Setembro, com participação de integrantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, desfile motorizado, cavalaria, apresentações militares e a tradicional Esquadrilha da Fumaça.

Estudantes de escolas públicas representando as 27 unidades da Federação participaram da abertura da programação.

O público começou a chegar à Esplanada antes das 6h30 e as arquibancadas cobertas já estavam ocupadas pouco antes do início da cerimônia.

Eleições mudam formato da comemoração

O fato de o desfile ocorrer a menos de um mês do primeiro turno das eleições também influenciou a organização.

O governo adotou cuidados para evitar que a cerimônia oficial fosse interpretada como ato de campanha. Diferentemente de outras comemorações, não houve distribuição de itens com slogans governamentais ao público.

Lula e Janja também evitaram roupas vermelhas, cor diretamente associada ao PT.

Mesmo assim, alguns dos temas escolhidos para o desfile coincidem com bandeiras exploradas pelo presidente durante sua campanha à reeleição, especialmente soberania nacional, proteção às mulheres e mudanças na jornada de trabalho.

O 7 de Setembro acabou produzindo, portanto, duas imagens políticas distintas.

Na Esplanada, a presença conjunta de Lula, Fachin, Alcolumbre e Motta transmitiu uma mensagem de diálogo institucional em meio à crise no Supremo.

Fora da cerimônia oficial, manifestações organizadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram críticas a Lula e Alexandre de Moraes e demonstraram apoio a André Mendonça e à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

No desfile oficial, entretanto, a crise do Banco Master não foi mencionada publicamente. Fachin, que assumiu a condução dos procedimentos relacionados às acusações envolvendo Moraes e Mendonça, acompanhou toda a cerimônia ao lado dos demais chefes dos Poderes.

A combinação entre a presença dos três Poderes, o discurso de soberania adotado pelo governo e os cuidados impostos pelo período eleitoral acabou dando ao 7 de Setembro deste ano um peso político que foi além das tradicionais apresentações militares.

Tags: 7 de SetembroBrasíliaDavi AlcolumbreEdson FachinEsquadrilha da FumaçaHugo MottaIndependência do BrasilLulapolíticasoberaniaSTF
Redação

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