O governo da Venezuela determinou nesta segunda-feira (5) a prisão de todos os envolvidos com os Estados Unidos na captura do presidente Nicolás Maduro. Em decreto publicado na íntegra hoje, mas em vigor desde sábado (3), as autoridades ordenam que os órgãos de segurança “iniciem imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”.
A medida ocorre dois dias após a operação militar norte-americana que resultou na prisão de Maduro durante a madrugada em Caracas. A ação provocou apagões em diferentes regiões da capital e atingiu instalações militares, segundo relatos de moradores e comunicados oficiais do governo venezuelano.
Washington afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, organização acusada de operar rotas de tráfico de drogas da América do Sul para os Estados Unidos. A Casa Branca classificou grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas, ampliando o enquadramento militar e jurídico da operação.
Pesquisadores e especialistas em segurança regional, no entanto, contestam essa narrativa. De acordo com análises acadêmicas e relatórios independentes, o Cartel de los Soles não funcionaria como uma organização hierárquica tradicional, mas como uma “rede de redes”, formada por agentes de diferentes patentes militares e setores políticos. Ainda assim, há indícios de que Maduro teria se beneficiado de uma estrutura descrita como “governança criminal híbrida”, que mistura poder estatal e atividades ilícitas.
Delcy Rodríguez assume interinamente
No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão ocorreu em meio ao vácuo de poder provocado pela prisão de Maduro e ao aumento das tensões internas e externas.
No mesmo dia, Rodríguez divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual defendeu o diálogo e o fim das hostilidades. O documento propõe a construção de uma “agenda de colaboração” e pede que Washington evite uma escalada militar.
“Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu Rodríguez. Segundo ela, a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e busca uma relação baseada na não ingerência, princípio que, de acordo com a dirigente chavista, sempre orientou a política externa do governo deposto.
A combinação entre a ordem de prisões internas e o apelo diplomático externo revela a estratégia adotada por Caracas neste momento: endurecer o discurso no plano interno, enquanto tenta abrir canais de negociação no cenário internacional. A crise segue em rápida evolução e mantém a América Latina no centro de uma das maiores tensões geopolíticas dos últimos anos.






