A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é a universidade federal brasileira com maior presença na mais recente lista internacional de pesquisadores de maior impacto científico medido por citações. A instituição tem 64 cientistas incluídos no levantamento elaborado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, com dados da base Scopus, da Elsevier.
O resultado coloca a UFMG na quarta posição entre as instituições brasileiras, atrás apenas das três universidades estaduais paulistas. A Universidade de São Paulo (USP) lidera com 282 pesquisadores, seguida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com 105, e pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com 87.
Logo depois da UFMG aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ambas com 63 cientistas. Na sequência estão Fiocruz e Unifesp, com 35 cada, UFSC, com 33, e UFPR, com 29.
Os 64 pesquisadores da UFMG estão distribuídos por 34 áreas do conhecimento, indicando presença da universidade em diferentes campos da produção científica. O número também iguala o melhor resultado já registrado pela instituição, alcançado em 2023.
Na edição de 2025, eram 57 pesquisadores da UFMG na lista. Com os 64 atuais, houve crescimento de 12,3% em um ano, percentual superior ao avanço observado no conjunto das instituições brasileiras.
No mesmo período, o número de pesquisadores do Brasil incluídos no levantamento passou de 1.461 para 1.510, aumento de 3,4%. A participação da UFMG no total brasileiro subiu de 3,90% para 4,24%.
Como funciona o levantamento
A base internacional é organizada pelo pesquisador John P. A. Ioannidis, da Universidade de Stanford, e disponibilizada no repositório de dados da Elsevier. A versão mais recente foi publicada em 7 de outubro de 2026 e utiliza informações da base Scopus atualizadas até o fim de 2025.
O levantamento não considera somente a quantidade bruta de citações recebidas por cada pesquisador. É utilizado um indicador composto, chamado c-score, que reúne informações como número de citações, índice h, índice ajustado de coautoria e citações de trabalhos nos quais o cientista aparece como autor único, primeiro autor ou último autor. Os cálculos também disponibilizam resultados com e sem autocitações.
Os pesquisadores são classificados em 20 grandes campos e 174 subáreas científicas. Para entrar na base, o cientista precisa estar entre os 100 mil pesquisadores de maior pontuação pelo indicador composto ou entre os 2% mais bem posicionados em sua subárea.
Os próprios responsáveis pela base alertam que indicadores de citações têm limitações e não devem ser utilizados isoladamente como prova absoluta da qualidade de um pesquisador. A proposta é medir principalmente o impacto da produção científica por meio das citações recebidas.
Pesquisadores da UFMG em destaque
A pesquisadora mais bem posicionada da UFMG é Deborah Carvalho Malta, professora da Escola de Enfermagem. Ela ocupa a 68ª posição mundial em sua área, Saúde Pública, e a posição 7.138 no ranking geral do levantamento.
Em seguida aparece Herman Sander Mansur, da Escola de Engenharia, na posição 276 em Materiais e 14.647 no ranking geral mundial.
O terceiro pesquisador da universidade mais bem colocado é Ado Jório de Vasconcelos, do Instituto de Ciências Exatas, que ocupa a posição 327 em Física Aplicada e a 17.960ª colocação geral.
Algumas áreas concentram maior número de pesquisadores da UFMG. São sete nomes em Odontologia, cinco em Química Medicinal e Biomolecular e outros cinco em Sistema Cardiovascular e Hematologia.
A evolução também aparece na série histórica. A UFMG tinha 41 pesquisadores na lista em 2020. O número passou para 49 em 2021, 58 em 2022, chegou a 64 em 2023, ficou em 58 em 2024 e 57 em 2025, retornando agora ao recorde de 64 nomes.
O Brasil, por sua vez, chegou a 1.510 pesquisadores na edição de 2026 e ocupa a 24ª posição mundial em número de cientistas incluídos na base.


