SÉRIE ESPECIAL | O MAPA DA VIOLÊNCIA EM MINAS · REPORTAGEM 3
Os registros de estupro em Itabira aumentaram 106,3% nos primeiros sete meses de 2026, mais que dobrando em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 33 ocorrências entre janeiro e julho deste ano, contra 16 em 2025. O crescimento contrasta com a redução de 3% registrada em Minas Gerais, segundo levantamento exclusivo produzido pelo Crime Brasil para O Folha de Minas, com base em dados oficiais da segurança pública.
Os números incluem estupros e estupros de vulneráveis, categoria que abrange crimes praticados contra menores de 14 anos e pessoas que, por outras condições previstas em lei, não podem oferecer resistência ou consentimento válido.
O crescimento interrompe uma redução observada no ano anterior. Em Itabira, foram registradas 21 ocorrências entre janeiro e julho de 2024, número que caiu para 16 em 2025, antes de chegar a 33 em 2026. Na comparação com dois anos atrás, o aumento foi de 57,1%.

Em Minas Gerais, o movimento foi diferente. Os registros passaram de 3.093 nos primeiros sete meses de 2025 para 2.995 no mesmo período de 2026, uma redução de 3,2%. Apesar da queda, o total permanece acima das 2.788 ocorrências contabilizadas em 2024.
Outras cidades mineiras também registram aumento
O crescimento da violência sexual também aparece em municípios de outras regiões de Minas. Em Sete Lagoas, os registros passaram de 23 para 40, aumento de 73,9%. Sabará teve crescimento de 87,5%, passando de 16 para 30 ocorrências, enquanto Patos de Minas registrou alta de 116,7%, de 12 para 26.
Itabira e Sete Lagoas tiveram o maior aumento em números absolutos entre as cidades destacadas pelo levantamento, com 17 ocorrências a mais em cada município.

O cenário revela diferenças importantes na evolução desse tipo de crime. Enquanto o total estadual apresenta redução, cidades como Itabira, Sete Lagoas, Sabará e Patos de Minas registram crescimento expressivo.
A violência sexual também envolve uma rede de atendimento que vai além da atuação policial, incluindo serviços de saúde, assistência social e órgãos de proteção às mulheres, crianças e adolescentes.
Homicídios e extorsões apresentam cenário diferente em Itabira
O levantamento do Crime Brasil também permite comparar o comportamento de outras modalidades de crimes violentos no município.
Enquanto os registros de estupro mais que dobraram, os homicídios consumados permaneceram estáveis. Itabira contabilizou seis ocorrências entre janeiro e julho de 2026, o mesmo número registrado no período correspondente de 2025. Em 2024, haviam sido 12 homicídios.
As extorsões consumadas também não apresentaram crescimento no último ano. Foram cinco registros em 2026, repetindo o número de 2025, contra oito em 2024.
Entre as três modalidades analisadas individualmente pelo Crime Brasil em Itabira, o estupro foi a única que apresentou aumento de registros entre 2025 e 2026.
Os dados fazem parte da série especial O mapa da violência em Minas, publicada todas as quartas-feiras pelo O Folha de Minas, a partir de levantamento exclusivo do Crime Brasil. Na próxima semana, a reportagem mostrará o cenário da violência no Vale do Aço, onde Timóteo e Coronel Fabriciano apresentam trajetórias opostas nos registros de homicídios.


