Rio de Janeiro – Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha – e muito – é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).
Ligado à Secretaria de Comunicação – SECOM – o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial Fabio Wajngarten.
Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.
Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.
Depois de empossar o novo diretor-geral da PF, Rolando Lero de Souza, em uma cerimônia clandestina de 20 minutos, numa salinha escura no porão do Palácio do Planalto, escondido do STF, Bolsonaro voltou a chamar em sua sala o secretário Fabio Wanjngarten.
– Mandou me chamar, presidente?
– Mandei, sim, taokey? – disse o presidente, desligando a TV que exibia em “Vale a Pena Ver de Novo” a novela da viúva Porcina. – Eu vou renomear o Dante Mantovani para a presidência da Fundação Nacional de Artes.
– O maestro? Aquele “olavista” que declarou que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa o aborto, que ativa o satanismo”? Mas, por que, presidente?
– Eu preciso de um sujeito “ativo” na Funarte. E depois, o Olavo de Carvalho ainda não engoliu a demissão dele.
– A secretária Regina Duarte não vai gostar nada disso, presidente.
– Quem sabe sou eu! E depois, a Regininha anda meio sumida. Parece até o Queiroz. Liga pra ela. Manda ela vir aqui falar comigo.
– Ela anda meio chateada porque não consegue nomear seus nomes preferidos para os cargos de ponta da Cultura e, ainda por cima, tem sido obrigada a engolir nomes impostos pela chamada “ala ideológica” do seu governo, comandada pelo Zero Um, Zero Dois e Zero Três.
– Que isso!! A moça do cafezinho foi ela que colocou lá.
– Os jornais estão dizendo que o senhor está “fritando” a Regina Duarte.
– PA-TI-FA-RIA!! PA-TI-FA-RIA!! Essa imprensa marronzista quer acabar com o meu governo!
– Mas que parece, parece, presidente – disse o secretário, cabisbaixo.
– Cala a boca! Eu não te perguntei nada. Vai logo lá comunicar a renomeação do Mantovani.
O secretário já ia saindo quando seu celular tocou.
– Tá. Sim, senhor. Vou falar com ele – disse o secretário.
– Quem é? A Regina? – quis saber o presidente.
– Não. São os militares. Eles já estão sabendo da sua intenção de renomear o maestro. E estão todos contra. A opinião pública e os jornais, também.
– Como é que eles ficaram sabendo? Acho que botaram “escutas” no Palácio. Isso deve ser coisa do Moro.
– O que eu faço?
– Esquece a renomeação do maestro. A essa hora eles já devem estar sabendo do Rolando, também.
– O que o senhor vai fazer? O que eu digo à imprensa?
– Diga que eu vou tirar a Regina da Secretaria Especial de Cultura.
– Mas, presidente, o senhor acabou de dizer que não estava “fritando” a secretária.
– E não estou. Ao contrário, vou promovê-la!
– Ela vai virar ministra??
– Quase. Ela vai gerenciar a Cinemateca Brasileira.
– Presidente, a Cinemateca está mergulhada numa crise financeira. Parou de receber recursos federais desde dezembro de 2019, os salários dos funcionários estão atrasados, a luz deve ser cortada essa semana e passou a ser ocupada por militares e políticos conservadores admiradores das ideias do Olavo de Carvalho. O último grande evento realizado lá foi uma mostra de filmes militares.
– E daí? É perto da casa dela.






