O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, voltou ao centro do debate público ao comentar a criminalidade no Brasil durante seu programa no SBT, exibido nesta quarta-feira (18). Ao abordar o avanço das facções, ele defendeu que esses grupos sejam enquadrados como organizações terroristas — e afirmou que isso abriria caminho para uma possível atuação dos Estados Unidos em território brasileiro.
“Eu vou falar a verdade aqui, eu tô torcendo para que esses narcotraficantes sejam taxados como terroristas, porque se forem taxados como terroristas, eles não aguentam dois meses e os Estados Unidos acabam com eles. A verdade é essa.”
Na sequência, reforçou: “Se o Brasil quiser ter uma chance na vida, acabe logo com essas facções”.
A declaração rapidamente ganhou repercussão por sugerir, ainda que indiretamente, uma intervenção estrangeira no país — tema sensível por envolver o princípio da soberania nacional, que garante ao Brasil autonomia sobre suas decisões internas.
O episódio não ocorre de forma isolada. Nos últimos dias, Ratinho tem acumulado declarações que ampliaram sua exposição no debate político.
Ao comentar a participação do ator Wagner Moura na divulgação do filme O Agente Secreto no exterior, o apresentador criticou o fato de o artista citar o ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevistas.
“Oh Wagner, esquece Bolsonaro cara! Pára de falar dele, qual é o motivo? O cara ta doente, ta lá quase morrendo e você falando mal do cara ai nos Estados Unidos.”
Em outro momento, elevou o tom:
“Cala sua boca porra! Que isso, fala outra coisa. Esquece essa coisa de política, esquece! Senão nós vamos morrer ou nós vamos se matar! Vamos parar! O Brasil é um só, nosso povo é um só. Vamos deixar a política pra hora que tem que ser política, na hora da urna. Aí vota do jeito que você quiser pô!”
As falas vieram após entrevistas de Wagner Moura em programas internacionais, nas quais o ator fez críticas ao ex-presidente brasileiro ao comentar o contexto político retratado no filme .
Críticas à Erika Hilton geraram ação judicial
Dias antes, o apresentador já havia provocado reação ao comentar a escolha da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
No programa do dia 11, ele afirmou:
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans”.
Na sequência, acrescentou:
“Mulher para ser mulher tem que ter útero, tem que menstruar”.
As declarações tiveram forte repercussão e levaram a deputada a acionar o Ministério Público Federal, com pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O caso também gerou pressão pública e cobrança de providências contra o apresentador e a emissora .
Repercussão política e posicionamento
As falas de Ratinho — principalmente ao manifestar apoio a uma intervenção estrangeira em solo brasileiro — preocupam não apenas por ter sido proferidas em um programa na TV aberta, mas também pelo fato do apresentador ser pai do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República.
Embora seu filho seja um pré-candidato a presidente, Ratinho mantém alinhamento público com o ex-presidente Jair Bolsonaro e frequentemente manifesta apoio ao grupo político ligado a ele.
Debate além da segurança pública
A defesa de classificar facções como terroristas já aparece em discussões sobre segurança, mas a associação direta com uma eventual intervenção internacional amplia o alcance do tema.
A fala coloca em evidência não apenas o combate ao crime organizado, mas também limites constitucionais, relações internacionais e o papel de figuras públicas na condução do debate político no país.






