Os governos de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram uma declaração conjunta nesta quinta-feira (19) afirmando estar dispostos a atuar para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã após a escalada do conflito no Oriente Médio.
O estreito é considerado uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de energia: cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente passa pela região. O fechamento da passagem tem provocado forte instabilidade nos mercados internacionais e pressionado o preço do barril.
No comunicado, os países afirmam que estão prontos para contribuir com medidas que garantam a segurança da navegação comercial.
“Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito”, diz o texto.
Mudança de postura após tensão com os EUA
A declaração ocorre poucos dias depois de esses mesmos países terem evitado aderir diretamente à ofensiva liderada pelos Estados Unidos e por Israel para reabrir a rota marítima.
A recusa inicial gerou atritos diplomáticos, especialmente com o presidente Donald Trump, que chegou a afirmar que não dependeria de aliados para garantir a liberação da área.
Agora, embora sinalizem disposição para atuar, as nações não detalharam quais medidas práticas serão adotadas.
Na mesma nota, os países condenaram ataques atribuídos ao Irã contra embarcações e estruturas energéticas na região do Golfo.
“Exigimos que o Irã cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, ataques com drones e mísseis e qualquer tentativa de bloquear a navegação comercial”, diz o documento.
A preocupação vai além da segurança regional. A interrupção no fluxo de petróleo já afeta cadeias globais e tende a impactar preços de combustíveis, inflação e custos logísticos em diversos países.
Escalada militar amplia risco energético
O bloqueio do Estreito de Ormuz foi adotado pelo Irã como resposta aos ataques militares conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos desde o fim de fevereiro.
Nos últimos dias, o conflito avançou sobre áreas estratégicas de produção de energia. Bombardeios atingiram o campo de gás South Pars, no território iraniano, e provocaram reações que alcançaram infraestruturas em países como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O cenário eleva o risco de uma crise energética global, com reflexos diretos nos mercados e na economia internacional.
Liberdade de navegação em debate
Na avaliação dos países signatários, a livre circulação marítima no estreito é um princípio do direito internacional e precisa ser preservada.
O governo iraniano, por sua vez, mantém a restrição de acesso para Estados Unidos, Israel e aliados, o que inclui os países europeus que agora defendem a reabertura.
A disputa coloca em jogo não apenas interesses militares e geopolíticos, mas também o equilíbrio do mercado global de energia em um momento de alta sensibilidade econômica.






