Os passeios turísticos na Lagoa da Pampulha foram retomados neste sábado (27) pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), marcando um novo capítulo na relação da cidade com um de seus principais símbolos urbanos. A iniciativa coincide com o mês em que a capital mineira completou 128 anos e integra um projeto-piloto com duração inicial de três meses.
A navegação é feita pelo Capivarã, embarcação do tipo catamarã com capacidade para até 30 pessoas, incluindo tripulação e guia de turismo. O embarque ocorre no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) Veveco, na Avenida Otacílio Negrão de Lima, na orla da Pampulha.
O primeiro passeio contou com a presença do prefeito Álvaro Damião, acompanhado por representantes da administração municipal e profissionais da imprensa. Em seguida, dois horários foram disponibilizados ao público, mediante retirada antecipada de ingressos pela internet.
“Não se trata apenas de colocar barcos para navegar no nosso principal cartão-postal, mas de mudar o olhar sobre a lagoa. Precisamos enxergá-la como um patrimônio vivo, que deve ser cuidado por todos. A Pampulha faz parte da nossa identidade e do orgulho da cidade”, afirmou o prefeito durante a cerimônia de retomada.
Funcionamento e acesso
Os passeios acontecem de quinta-feira a domingo, nos horários de 10h, 13h e 15h. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados pela plataforma Sympla a partir das 12h da terça-feira anterior à data escolhida, com limite de até quatro bilhetes por CPF. A orientação da PBH é que os participantes cheguem com pelo menos 15 minutos de antecedência. Em caso de chuva ou condições climáticas desfavoráveis, a atividade pode ser cancelada.
Durante o percurso, o Capivarã passa por pontos emblemáticos do Conjunto Moderno da Pampulha, com explicações de um guia de turismo sobre a história, o valor arquitetônico, cultural e ambiental da região.
Segundo o prefeito, estudos recentes indicam melhora significativa na qualidade da água. “O espelho d’água atingiu índice de qualidade entre bom e ótimo, o que permite a navegação com segurança. O desafio agora é manter esse padrão e avançar no processo de recuperação”, destacou.
Impacto no turismo
A retomada dos passeios foi bem recebida por entidades do setor turístico. Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais (ABAV-MG), Peter Mangabeira, a iniciativa atende a uma demanda antiga. “Era algo cobrado pela população e pelos turistas. Esse projeto contribui para a revitalização da imagem da Pampulha e para o fortalecimento do turismo em Belo Horizonte”, avaliou.
Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Flávio Araújo Badaró, destacou os reflexos diretos para a hotelaria. “O impacto é extremamente positivo, sobretudo para os hotéis da região. Além disso, é uma nova oportunidade para moradores e visitantes conhecerem os equipamentos turísticos sob outra perspectiva”, afirmou.
Projeto e preservação
O retorno da navegação turística foi anunciado em maio, durante as comemorações dos 82 anos do Conjunto Moderno da Pampulha. No dia 13 deste mês, a PBH firmou um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial de Minas Gerais, para cooperação técnica na fiscalização do tráfego de embarcações na lagoa.
A proposta tem como diretrizes a preservação da fauna, da flora e do patrimônio cultural, além de ampliar as experiências de lazer e fortalecer a cadeia produtiva do turismo. Com a iniciativa, a prefeitura busca estimular novas formas de visitação e valorizar um espaço reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, agora observado diretamente a partir das águas.






