O Instituto Estadual de Florestas (IEF) lançou o novo Guia de Trilhas do Parque Estadual do Rio Doce (Perd), reunindo informações detalhadas sobre percursos, níveis de dificuldade, tempo estimado de caminhada, regras de visitação e orientações de segurança para turistas e visitantes.
O material busca fortalecer o turismo de natureza em uma das mais importantes unidades de conservação ambiental de Minas Gerais, considerada o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do estado.
O guia apresenta trilhas autoguiadas e roteiros com acesso controlado, que exigem acompanhamento de condutores credenciados. A proposta é oferecer experiências mais seguras e sustentáveis aos visitantes, conciliando turismo ecológico, educação ambiental e preservação da biodiversidade.
Trilhas para diferentes perfis de visitantes
Entre os percursos de livre acesso, o guia destaca a Trilha do Vinhático, com 1,3 quilômetro de extensão. O trajeto atravessa áreas de Mata Atlântica em regeneração e permite observar os processos naturais de recuperação florestal após os incêndios que atingiram a região na década de 1960.
Outra opção é a Trilha do Angico Vermelho, com 1,45 quilômetro, também adaptada para ciclistas. O percurso passa por áreas preservadas próximas à Lagoa Dom Helvécio, uma das principais atrações naturais do parque.
Para famílias e visitantes em busca de atividades leves, o guia apresenta a Trilha das Crianças, com apenas 182 metros de extensão e placas educativas voltadas à fauna, flora e conscientização ambiental.
Já a Trilha do Pescador combina caminhada e lazer às margens da Lagoa Dom Helvécio, incluindo pontos autorizados para pesca recreativa de espécies exóticas, prática utilizada como estratégia de manejo ambiental.

Roteiros controlados incluem observação de fauna
Entre as trilhas com acesso controlado está a Trilha da Carioca, voltada para observação de fauna e pássaros e educação ambiental. O acesso é permitido apenas com acompanhamento de condutores credenciados pelo IEF.
A Trilha Porto Capim também exige acompanhamento especializado e leva visitantes a áreas preservadas da Mata Atlântica e espaços utilizados em pesquisas científicas.
Para os visitantes mais experientes, o parque oferece a Trilha Transperdida, considerada a maior trilha ativa da unidade, com 10,8 quilômetros de extensão e elevado nível de dificuldade.
O percurso reúne travessias, áreas de mata fechada e pontos históricos ligados às pesquisas ambientais desenvolvidas no parque.
Ciclotrilha homenageia ave ameaçada de extinção
Outro destaque do guia é a Ciclotrilha TransEstalo, inaugurada em 2025, com aproximadamente 45,9 quilômetros de extensão.
A rota foi criada para incentivar o cicloturismo e homenageia o jacu-estalo, ave rara e ameaçada de extinção encontrada na Mata Atlântica da região.
Segundo o IEF, o percurso também oferece oportunidades de observação de espécies ameaçadas e animais de grande porte, como onça-pintada, onça-parda, anta, tatu-canastra, muriqui-do-norte e sagui-caveirinha.

Preservação ambiental e turismo sustentável
Além de divulgar os atrativos turísticos do parque, o novo guia reforça regras de preservação ambiental, como a proibição de alimentar animais silvestres, fazer fogueiras, retirar plantas, descartar lixo irregularmente ou acessar áreas restritas sem autorização.
O gerente do parque, Vinícius Moreira, destacou que a iniciativa busca estimular o uso público de forma organizada e sustentável.
“O turismo bem planejado se torna uma importante ferramenta de conservação, além de promover geração de renda, ecoturismo e conscientização ambiental”, afirmou.
Parque é referência em conservação ambiental
Criado em 1944, o Parque Estadual do Rio Doce possui cerca de 36 mil hectares distribuídos entre os municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo, no Vale do Aço mineiro.
A unidade abriga mais de 40 lagoas naturais e uma das maiores biodiversidades de Mata Atlântica do país, sendo referência em pesquisas científicas, conservação ambiental e turismo ecológico.
O guia segue os critérios da norma ABNT NBR 15505:2019, utilizada nacionalmente para classificação de trilhas em ambientes naturais, considerando severidade do percurso, orientação, terreno e esforço físico necessário.






