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Home Colunas

O tiro no pé

Por Ediel Ribeiro
27 de outubro de 2026 - 09:34
em Colunas
O tiro no pé

Reprodução/Facebook

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Rio – Às vezes, duvido que existam figuras mais toscas que os seguidores de Jair Bolsonaro.

E não é só porque eles bebem detergente, rezam para pneus e acreditam que ET´s vão invadir a terra para salvá-los do comunismo.

Ao longo dos últimos anos, o cenário político brasileiro registrou diversos episódios em que apoiadores e figuras ligadas ao ex-presidente geraram repercussão e memes na internet ao cometerem gafes ou produzirem, por conta própria, as provas que acabaram servindo para identificá-los e denunciá-los à Justiça.

Nesta eleição, não foi diferente.

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Logo que foram apurados os votos e confirmada a vitória de Luíz Inácio Lula da Silva, Valdemar Costa Neto, bastante irritado, reuniu caciques do PL e aliados próximos do senador Flávio Bolsonaro, em Brasília.

O líder do Partido Liberal começou soltando os cachorros:

– Meu Deus! Quanta gente estúpida!!! Perdemos a eleição por causa daquele idiota de Minas!

– Quem? O Zema? – perguntou um assessor.

– Não, o outro. Aquele da peruca.

– Ah! O Nikolas.

– O cara é tão idiota, que para fazer um filme simulando uma família de Nordestinos passando fome, trouxe um homem, dono de um carro de luxo. Será que é tão difícil encontrar um nordestino pobre que não tenha uma Hilux!!! Pior, o ‘making of’ mostrou um diretor de cena, mandando esconder a antena parabólica da casa do “pobre”.

– E os generais, que imprimiram a minuta do golpe na impressora do Palácio do Planalto e ainda postaram a cópia no grupo de Whatsapp – completou outro assessor.

– Sem falar nos “Kids pretos” que pesquisaram no Google as armas para matar o Presidente da República – completou um parlamentar.

– E o general da reserva Lourena Cid (pai do ajudante de ordens Mauro Cid) que ao tentar fotografar jóias e um relógio valioso para posterior avaliação e comercialização nos Estados Unidos, registrou o reflexo do seu próprio rosto no vidro da caixa do objeto – disse um assessor, rindo.

– Nem me fale. O golpe de 8 de Janeiro foi uma sucessão de mancadas e cagadas, literalmente. Invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, gravando vídeos em tempo real, sorrindo e mostrando os próprios rostos, enquanto vandalizavam o patrimônio público e postaram no Instagram, TikTok, Facebook e YouTube – disse Valdemar.

– E a deputada federal Carla Zambelli que, às vésperas da eleição de 2022, correu pelas ruas de São Paulo, atrás de um homem negro, com uma arma na mão – lembrou outro político da extrema direita.

Outros episódios recorrentes envolveram grupos cantando o hino nacional para pneus, comemorando uma suposta “intervenção militar” decretada por generais fictícios ou celebrando relatórios falsos das Forças Armadas sobre fraudes eleitorais inexistentes.

Mais o meme mais famoso é, certamente, o “Patriota do Caminhão” que na tentativa de impedir que um caminhão furasse um bloqueio em uma rodovia em Pernambuco, subiu na frente do para-brisa do veículo em movimento. O caminhoneiro não parou, e o homem andou por quilômetros pendurado na frente do veículo.

De repente, um assessor invadiu a reunião gritando:

– Gente, gente! Eduardo Bananinha aconselhou o Flávio a fugir para os Estados Unidos e o Xandão já pediu a apreensão do passaporte do senador.

– Com um irmão idiota desses, quem precisa de inimigos? – gritou Valdemar.

Tags: bolsonarismoColunistasEdiel RibeiroEduardo BolsonaroFlávio BolsonarohumorJair BolsonaroO Tiro no PéPLpolítica
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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