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Home Colunas

NANI, UM ESCRITOR

Por Ediel Ribeiro
15 de junho de 2022 - 12:05
em Colunas

Ediel Ribeiro e Nani / Foto: Roberto Netto - 

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Outro dia, dando uma olhada no esboço das memórias do cartunista Nani que estou escrevendo, descobri que Nani escrevia tanto quanto desenhava. E olha que ele desenhava muito.

Nani – que inteiro é Ernani Diniz Lucas – tinha muito mais talento do que pode imaginar nossa vã filosofia. Nani era amado tanto por seu desenho como pelo texto de humor enxuto, mordaz, ácido e crítico.

Foi o mais criativo dos cartunistas brasileiros – para mim, o melhor. 

Além de cartunista, foi também escritor, redator de humor para o teatro e a TV, roteirista e um grande frasista.

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Era uma das figuras mais fascinantes do Rio. Fez parte – junto com Jaguar, Henfil, Millôr, Ziraldo, Lan e Guidacci – de um grupo de geniais cartunistas que tornaram a imprensa brasileira mais alegre. Menos careta.

Mas Nani não foi só um grande desenhista. Nani também escrevia – muito bem, por sinal – livros para crianças e policiais de alto nível. Adorava escrever histórias de detetives. Suas histórias faziam bastante sucesso. Aldir Blanc, outro escritor aficionado em histórias de detetives, afirmava que o melhor detetive era o do Nani.

É autor de dezenas de livros, entre eles: ‘Feliz e Orgulhoso, Envaidecido Mesmo’, ‘Cachorro Quente Uivando para a Lua’, ‘A Traça de A a Z’, ‘Jornal do Menininho’, ‘Se Arrependimento Matasse’, ‘Batom na Cueca’ ‘É  Grave, Doutor?’, ‘Foi Bom Pra Você?’, ‘Humor Politicamente Incorreto’ ‘Foi Mal’, ‘Não é Só Você Que Quer Matar o Governador’ ‘A Moedinha que Queria Comprar a Felicidade’, ‘A Menina Que Acordava as Palavras’, ‘Orai Pornô’ e ‘Tem Outra Palavra na Palavra’.

Nani ilustrava as crônicas que eu escrevia para ‘O Folha de Minas’. Quando tive a idéia de reuni-las em um livro, chamei o Nani para escrever o prefácio. Não deu tempo.

Pior para nós, seus fãs. Nani certamente teria escrito um grande prefácio como se pode ver por algumas de suas frases:

“A frase mais bonita da língua portuguesa é: senta aí que eu vou fazer o seu cheque”.

“Deixa o politicamente correto vir que nós avacalhamos com ele.”

“O humor é o caminho mais curto entre as pessoas”.

“Precisamos do humor para não morrer de realidade.” 

“Charge a favor não é charge, é cartilha.”

“O humor é tão necessário na vida, ele te revitaliza, te dá um pensamento sobre a vida. É o que eu faço. O humor coloca você no seu devido lugar, quem se leva a sério acaba caindo do cavalo.”

“Millôr era genial como poucos. Sua obra vai perdurar como a dos antigos filósofos.”

“Pior que enfrentar a censura oficial é enfrentar a censura do politicamente correto.”

“O humorista entende tanto de tristeza que faz humor por eliminação”. 

“O Chico Anysio tinha uma antena que poucos artistas têm.”

“Minhas commodities são o humor em desenhos e textos, e enquanto precisarem deste produto no mercado, compram na minha mão.”

“O politicamente correto é a censura que não ousa dizer o nome.”

“Hoje, quando publico, eu mesmo me censuro para que não me encham o saco. Já fui mais corajoso e já tive mais saco.”

“Este é o problema da ignorância: algumas pessoas não sabem ler, se leem não entendem. Não riem, então, te esculhambam.”

“Tem gente demais explicando, mas ninguém entende. Se você quiser que eu desenhe, eu desenho. E vou continuar desenhando.”

“Sou do humorismo: o ismo que ri por último.”

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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