Começou nesta quarta-feira (30), no 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, o julgamento de Amanda Christina Souza Pinto, acusada de matar a própria mãe, Maria do Rosário de Fátima Pinto, de 67 anos, e a filha, Agatha Alves Pinto, de 10, dentro do apartamento onde as três moravam, no bairro Piratininga, na região de Venda Nova.
O júri estava marcado para começar às 8h30. Amanda está presa desde 2023 e atualmente se encontra no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte.
Os crimes ocorreram entre os dias 13 e 14 de março de 2023. Amanda confessou as mortes à polícia, mas a investigação posterior acrescentou elementos à versão apresentada inicialmente pela acusada, principalmente em relação à motivação do assassinato da mãe.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Amanda mantinha uma relação controladora com Maria do Rosário, com agressões psicológicas e violência patrimonial. A acusação sustenta que a morte ocorreu por vingança depois que a mãe deixou de lhe entregar dinheiro.
Dinheiro e apartamento aparecem na investigação
A investigação da Polícia Civil apontou que Maria do Rosário era responsável por boa parte das despesas da família e pagava o financiamento do apartamento onde vivia com a filha e a neta.
O dinheiro das parcelas era entregue a Amanda, que deveria realizar os pagamentos.
A polícia apurou que o imóvel, no entanto, já estaria quitado desde novembro de 2022. Ao descobrir a situação, Maria do Rosário teria confrontado a filha sobre o dinheiro.
A acusação sustenta que Amanda decidiu matar a mãe nesse contexto. Maria do Rosário foi estrangulada dentro de casa.
Em seu primeiro depoimento à polícia, Amanda apresentou uma versão diferente. Disse que conversava e “brincava” com a mãe quando passou o braço pelo pescoço dela e sentiu vontade de apertá-lo.
Segundo o relato registrado na época, Maria do Rosário tentou pedir ajuda, mas Amanda continuou até perceber que a mãe havia parado de respirar.
A investigação concluiu posteriormente que o crime teria sido motivado pela disputa financeira.
Filha teria pedido para chamar socorro
A filha de Amanda, que estava em outro cômodo, acordou e tentou saber o que estava acontecendo.
De acordo com o relato prestado pela acusada à polícia, ela inicialmente disse à menina que a avó havia passado mal e morrido.
Amanda afirmou ainda que explicou à criança que, como Maria do Rosário sustentava a casa, as duas não teriam condições de continuar vivendo da mesma forma. A menina teria sugerido chamar o Samu, a polícia ou alguma pessoa de confiança.
A acusação sustenta que Amanda decidiu matar a filha para impedir que o homicídio da mãe fosse descoberto.
Na primeira tentativa, foram feitos cortes nos pulsos da criança, que provocaram ferimentos superficiais. Amanda teria então tentado asfixiar a filha.
Segundo o relato dado à polícia, a menina resistiu às primeiras tentativas. Amanda amarrou a criança utilizando uma calça e apertou seu pescoço até que ela parasse de respirar.
Agatha tinha 10 anos.
Mensagem foi enviada pelo celular da mãe
Outro elemento reunido na investigação ocorreu depois da morte de Maria do Rosário.
Segundo a acusação, Amanda utilizou o telefone celular da mãe para enviar uma mensagem ao patrão dela, fazendo-se passar pela vítima e informando que não compareceria ao trabalho por problemas de saúde.
Depois das duas mortes, Amanda tentou tirar a própria vida. Ela ingeriu medicamentos e, posteriormente, vedou frestas do apartamento, colocou a cabeça dentro do forno do fogão e abriu o gás.
O cheiro chamou a atenção no prédio. O síndico também estranhou os latidos constantes do cachorro da família e o Corpo de Bombeiros foi acionado.
Amanda foi encontrada inconsciente, mas com vida. Dentro do apartamento estavam os corpos da mãe e da filha.
Ela foi socorrida e levada ao Hospital João XXIII. Posteriormente, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
Crimes têm várias qualificadoras
Amanda responde por dois homicídios com diferentes qualificadoras.
Na morte de Maria do Rosário, o Ministério Público aponta motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e crime cometido em contexto de violência doméstica e familiar.
Em relação à filha, a acusação inclui qualificadoras semelhantes e acrescenta o fato de a vítima ser menor de 14 anos, estar sob a guarda da acusada e a alegação de que o homicídio foi cometido para garantir a ocultação do crime anterior.
A decisão que determinou que Amanda fosse levada a júri popular foi proferida ainda em julho de 2023 pelo 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que manteve sua prisão preventiva.
Defesa aguarda fim do julgamento
Procurada antes do início do júri, a defesa informou que não faria manifestações sobre o caso neste momento.
Em nota, os advogados afirmaram que o processo tramita em segredo de Justiça e que, também por razões relacionadas à estratégia de defesa, eventuais esclarecimentos serão apresentados depois da sessão plenária.
O julgamento desta quarta-feira definirá a responsabilidade criminal de Amanda pelos dois homicídios e, em caso de condenação, quais qualificadoras serão reconhecidas pelos jurados.

