O cientista político José Álvaro Moisés, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), morreu nesta sexta-feira (13), aos 80 anos, no litoral norte de São Paulo. A morte foi confirmada pela Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).
Segundo informações divulgadas por autoridades locais, Moisés sofreu um afogamento na praia de Itamambuca, em Ubatuba. Ele foi socorrido por equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimos, que realizaram manobras de reanimação ainda na faixa de areia, mas o professor não resistiu.
Trajetória acadêmica
Graduado em Ciências Sociais pela USP em 1970, Moisés concluiu mestrado em Política e Governo na Universidade de Essex, no Reino Unido, em 1972, e doutorado em Ciência Política na USP, em 1978. Ao longo da carreira, foi professor visitante do Centro Latino-americano da Universidade de Oxford, entre 1991 e 1992.
Nos últimos anos, atuava como professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, onde coordenava o Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia. Também integrou o Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da universidade, que dirigiu de 1995 a 2017.
Reconhecido nacional e internacionalmente, participou de entidades acadêmicas como a International Political Science Association e manteve interlocução com organismos ligados à UNESCO. Sua produção influenciou gerações de pesquisadores e consolidou o debate sobre confiança institucional e funcionamento das democracias.
Contribuições ao debate público
Moisés foi uma das principais vozes na análise da chamada “qualidade da democracia”, conceito que amplia o olhar sobre regimes democráticos para além da realização de eleições, incluindo aspectos como participação cidadã, funcionamento das instituições e confiança da sociedade nas estruturas públicas.
Entre seus livros mais conhecidos estão Democracia e Desconfiança (2010), A Desconfiança Política e seus Impactos na Qualidade da Democracia (2013), Crises da Democracia: o Papel do Congresso, dos Deputados e dos Partidos (2019) e A Crise da Democracia Representativa e o Neopopulismo no Brasil (2020).
Além da carreira acadêmica, teve atuação no setor público. Foi secretário de Apoio à Cultura (1995-1998) e secretário do Audiovisual (1999-2002) no Ministério da Cultura, período em que coordenou pesquisas sobre cultura e democracia em parceria com universidades estrangeiras.
Em nota, a ABCP destacou que a trajetória do professor foi marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública, deixando um legado relevante para a ciência política brasileira.
A morte de José Álvaro Moisés representa uma perda significativa para o meio acadêmico e para o debate democrático no país.






