O cantor, compositor e pianista Benito di Paula, um dos nomes mais populares da música brasileira a partir da década de 1970, morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo.
O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano. A morte foi confirmada pela assessoria de imprensa do músico.
Dono de um estilo imediatamente reconhecível ao piano, Benito construiu uma carreira de mais de cinco décadas e deixou sucessos como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Se Não For Amor”, “Vai Ficar na Saudade” e “Tudo Está no Seu Lugar”.
Nascido Uday Vellozo, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, Benito começou a carreira cantando em hotéis, boates e casas noturnas. Passou por Santos antes de se estabelecer em São Paulo e alcançar projeção nacional.
Seu primeiro sucesso de maior repercussão foi “Canção para o Nosso Amor”, em 1969, incluída na trilha sonora da novela Nino, o Italianinho, da TV Tupi.
A consagração veio principalmente na década seguinte. Em 1973, lançou “Retalhos de Cetim”, música que se tornou uma das mais conhecidas de sua carreira e atravessou gerações.
Samba ao piano
A combinação pouco comum de samba, piano, bolero, jazz e canções românticas deu a Benito uma identidade própria.
Seu trabalho acabou associado ao chamado “samba-joia”, expressão utilizada principalmente a partir dos anos 1970 para definir uma vertente mais popular e romântica do samba. Benito, porém, não gostava do rótulo.
Enquanto boa parte do samba daquele período tinha violão, cavaquinho e instrumentos de percussão como referências, Benito aparecia frequentemente diante de um piano, cantando com gestos, roupas e interpretação que também se tornariam marcas de sua imagem.
Além dos discos e dos palcos, teve presença constante na televisão e chegou a comandar o programa “Brasil Som 75”, na TV Tupi. Suas músicas também receberam gravações de outros artistas brasileiros.
Nos últimos anos, Benito voltou a dividir projetos com o filho, o cantor e compositor Rodrigo Vellozo. Os dois gravaram juntos o álbum O Infalível Zen, lançado em 2021.
Após a morte do pai, Rodrigo publicou uma curta mensagem nas redes sociais:
“Te amo, papai! Obrigado!”.
Em 2025, a trajetória de Benito também foi levada ao Carnaval de São Paulo pela escola de samba Águia de Ouro, com o enredo Em Retalhos de Cetim, homenagem à vida e à obra do compositor.
Despedida será aberta ao público
O velório de Benito di Paula será realizado nesta terça-feira (20), das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, com acesso aberto ao público.
O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério do Morumby, em cerimônia reservada aos familiares.
Benito deixa o filho Rodrigo Vellozo e duas netas. Seu outro filho, André, que trabalhava no audiovisual, morreu aos 36 anos.


