A dramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores nomes. Morreu, aos 95 anos, o escritor e autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, vítima de complicações provocadas por insuficiência renal crônica. Ele estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.
Em nota, o hospital informou que o falecimento ocorreu na manhã desta terça em decorrência da evolução do quadro clínico. Nos últimos meses, o dramaturgo enfrentava problemas de saúde e já havia sido internado na mesma unidade hospitalar no início do ano.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito construiu uma obra que ajudou a redefinir a teledramaturgia brasileira. Suas novelas levaram para o horário nobre paisagens do interior do país, conflitos agrários, tradições culturais e personagens profundamente ligados ao campo, transformando a vida rural em elemento central das grandes produções da televisão.
O autor que levou o Brasil profundo para a TV
Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior paulista, Benedito Ruy Barbosa viveu de perto o universo que mais tarde se tornaria sua principal inspiração.
Antes de ingressar definitivamente na literatura e na televisão, trabalhou como bancário, comerciante e revisor de jornais, passando por veículos como O Estado de S. Paulo, Última Hora e Gazeta Esportiva.
Seu primeiro romance, Fogo Frio, publicado em 1959, abriu caminho para a carreira como roteirista. Poucos anos depois estrearia na televisão, ainda na extinta TV Tupi, iniciando uma trajetória que atravessaria praticamente toda a história da dramaturgia nacional.
Pantanal mudou a televisão brasileira
Embora tenha assinado dezenas de produções de sucesso, foi com Pantanal, exibida pela Rede Manchete em 1990, que Benedito alcançou um dos momentos mais importantes da televisão brasileira.
A novela rompeu padrões estéticos da época ao transformar as paisagens naturais do Pantanal em parte da narrativa e conquistou índices históricos de audiência, desafiando a liderança da TV Globo.
O sucesso da obra acabou provocando seu retorno à emissora carioca, onde escreveu alguns dos maiores clássicos da dramaturgia nacional.
Vieram então produções como O Rei do Gado, Terra Nostra, Esperança, Cabocla, Sinhá Moça, Renascer, Meu Pedacinho de Chão e, mais recentemente, Velho Chico, exibida em 2016.
Anos depois, Pantanal e Renascer ganharam novas versões produzidas pela Globo, levando a obra de Benedito a uma nova geração de telespectadores.
Histórias que marcaram gerações
As novelas escritas por Benedito Ruy Barbosa ficaram conhecidas pela valorização da cultura brasileira, pelos conflitos envolvendo famílias tradicionais, disputas por terras, imigração, religiosidade e preservação ambiental.
Sua escrita combinava linguagem popular, personagens de forte identidade regional e grandes dramas familiares, elementos que ajudaram a consolidar um estilo próprio dentro da televisão brasileira.
Além das novelas, também escreveu roteiros para o cinema e participou da adaptação televisiva de Sítio do Picapau Amarelo, ampliando sua contribuição para a produção cultural do país.
Legado permanente
A morte de Benedito Ruy Barbosa encerra um dos capítulos mais importantes da história da dramaturgia brasileira.
Autor de personagens inesquecíveis e de novelas que atravessaram gerações, ele deixa uma obra que ajudou a contar o Brasil para milhões de espectadores, preservando na ficção a cultura, a paisagem e os costumes do interior do país.
Seu legado permanece vivo não apenas nas reprises e remakes de seus maiores sucessos, mas também na influência exercida sobre autores que vieram depois e encontraram em suas histórias uma nova forma de retratar o Brasil na televisão.


