A Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não encontrou irregularidades no funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação foi apresentada nesta sexta-feira (23), após o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinar um pente-fino no canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a Meta, a análise técnica não identificou violações às políticas da empresa.
“A análise do canal à luz das diretrizes de canais consta da declaração técnica anexa que constatou que não há violação das políticas, detalhando as políticas e metodologia para detecção de conteúdo violador”, informou a plataforma ao TSE.
A campanha de Flávio havia alegado à Justiça Eleitoral que ações organizadas pelo canal poderiam estar em desacordo com o plano de conformidade apresentado pelas plataformas ao tribunal.
Na quinta-feira (22), Nunes Marques deu prazo de 24 horas para que a Meta apresentasse informações sobre comportamento coordenado entre contas e canais, padrões de engajamento, rastreabilidade dos conteúdos, atividade publicitária e outros dados relacionados à mobilização.
Google não encontrou robôs
Google e X também foram chamados a prestar informações ao TSE sobre as ações promovidas a partir do “Exército do Lula”.
O Google informou que não identificou tráfego automatizado, scripts, botnets, ameaças cibernéticas ou outras irregularidades relacionadas às buscas analisadas.
A empresa examinou pesquisas estimuladas pelas chamadas “missões”, em que participantes do canal recebem orientações para procurar determinadas expressões em horários específicos.
X aponta coordenação, mas diz que 97% das contas eram autênticas
O X analisou 58 hashtags relacionadas ao processo. Juntas, elas somaram aproximadamente 8,2 milhões de publicações feitas por cerca de 476 mil contas.
A plataforma identificou ações coordenadas, com concentração de publicações em determinados horários.
Segundo o relatório entregue ao TSE, cerca de 97% das contas analisadas não apresentaram sinais de automação, redes de perfis falsos ou operação irregular de múltiplas contas.
O X informou ter suspendido 12.454 contas nas quais encontrou indícios de comportamento inautêntico. Outras 398 foram submetidas a reverificação por telefone.
Entre as hashtags examinadas estava #PesquiseBolsonaroMandouMatarLula, que registrou 307.583 publicações na primeira hora, segundo os dados apresentados pela plataforma.
Meta pede prazo para complementar informações
A Meta informou ainda ter recebido material adicional encaminhado pelos advogados de Flávio Bolsonaro e pediu mais cinco dias para concluir análises complementares.
Segundo a empresa, o pedido do TSE envolve diferentes serviços e exige coleta e processamento de dados do WhatsApp, Instagram e Facebook.
O relatório já entregue, entretanto, registra que a análise realizada até então não encontrou violação das políticas do canal.
Canal já foi suspenso durante o segundo turno
A disputa em torno do “Exército do Lula” começou no dia 11 de outubro, quando Nunes Marques determinou a suspensão do canal após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
A decisão citou a suposta replicação de conteúdos considerados inverídicos pelo tribunal.
O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a suspensão. Nunes Marques posteriormente voltou a determinar o bloqueio, desta vez alegando que o canal mantinha vínculo com a campanha de Lula sem estar registrado oficialmente na Justiça Eleitoral.
Depois que a campanha registrou o canal no TSE, Nunes Marques autorizou sua reativação.
O canal chegou nesta sexta-feira à marca de aproximadamente 10 milhões de participantes.
Floriano impede nova suspensão administrativa
Também nesta sexta-feira, o ministro Floriano de Azevedo Marques determinou que o canal não seja novamente suspenso ou restringido por decisão administrativa individual da Presidência do TSE.
A medida atendeu a um mandado de segurança apresentado pela campanha de Lula.
Segundo Floriano, depois que a controvérsia foi submetida ao colegiado, uma decisão monocrática administrativa sobre a suspensão do canal apresenta vício de competência.
“Nenhum ministro da Corte, menos ainda no exercício de competência administrativa, pode se sobrepor à autoridade do Colegiado”, afirmou.
Com a decisão, eventual nova suspensão deverá ser analisada pelo Plenário do TSE ou dentro de processo judicial eleitoral competente.


