Lionel Messi encerrou nesta terça-feira (6) uma das maiores histórias já construídas com a camisa de uma seleção. Aos 39 anos, o camisa 10 disputou sua última partida pela Argentina e se despediu em grande estilo: participou dos três gols na vitória por 3 a 0 sobre o Benim, diante de mais de 85 mil torcedores no Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
Messi deu as assistências para os gols de Nicolás Otamendi e Nico Paz e marcou, de pênalti, seu 126º e último gol pela seleção.
Foram 208 partidas em 21 anos defendendo a Argentina.
A noite, porém, começou muito antes de a bola rolar.
Messi já demonstrava emoção no ônibus que levava a delegação ao estádio. No Monumental, encontrou arquibancadas tomadas por camisas, bandeiras e imagens que contavam diferentes momentos de sua trajetória.
Antes da partida, uma camisa gigante da seleção com o número 10 e a palavra “Gracias” foi aberta no gramado.
Messi entrou acompanhado dos filhos Thiago, Mateo e Ciro. Durante a execução do hino argentino, interpretado pelo ex-combatente da Guerra das Malvinas Fabio Santana, não conseguiu conter as lágrimas. Lionel Scaloni, ao seu lado, também se emocionou.
Aos 10 minutos, o jogo foi interrompido para uma homenagem ao camisa 10. O Monumental voltou a ovacioná-lo enquanto fogos iluminavam o estádio.
Uma última atuação de gala
Dentro de campo, o Benim conseguiu segurar a Argentina durante o primeiro tempo, mas a despedida ganhou o roteiro esperado depois do intervalo.
Aos 48 minutos, Messi cobrou escanteio e Nicolás Otamendi apareceu para marcar de primeira. Era a primeira assistência do camisa 10 na noite — e também uma participação especial de Otamendi, que igualmente fazia sua despedida da seleção.
Aos 61, Messi encontrou Nico Paz, que ampliou para 2 a 0.
Faltava o gol dele.
Aos 71 minutos, Agustín Giay sofreu pênalti. Messi pegou a bola e cobrou no alto, marcando o terceiro da Argentina.
Foi o gol de número 126 com a camisa da seleção.
O último.
Messi permaneceu em campo até o apito final. Já nos acréscimos, ainda cobrou uma falta, em seu último contato com a bola como jogador da Argentina.
“Eu vou em paz”
Horas antes da partida, Messi havia antecipado o sentimento com que chegava ao fim da caminhada.
“O momento chegou. Eu vou em paz. Deixei tudo. Esta camisa foi meu sonho, meu orgulho e minha vida”, afirmou em mensagem divulgada antes do jogo.
Depois do apito final, a festa continuou.
Um espetáculo de drones formou no céu imagens relacionadas à trajetória do camisa 10 e mensagens de agradecimento. Houve ainda luzes, fogos e apresentações musicais. Soledad Pastorutti participou da homenagem antes do discurso de despedida do jogador.
Messi voltou a se emocionar ao falar com a torcida e lembrou do pai, Jorge Messi, que morreu em agosto.
“É muito difícil dizer alguma coisa hoje, são muitas emoções. A primeira coisa que penso é no meu velho”, disse.
O camisa 10 agradeceu aos argentinos e falou sobre o que significou defender a seleção durante mais de duas décadas.
“Jogar na seleção argentina foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, afirmou.

Messi se despediu da Argentina com gol e duas assistências na vitória por 3 a 0 sobre o Benim. Camisa 10 encerra trajetória de 208 jogos e 126 gols.
(Reprodução / X)
Da expulsão na estreia ao topo do mundo
A despedida encerrou uma trajetória iniciada em 17 de agosto de 2005.
Messi tinha 18 anos quando entrou no segundo tempo de um amistoso contra a Hungria, em Budapeste. Sua estreia pela seleção principal durou poucos minutos: o jovem atacante acabou expulso pouco depois de entrar.
O começo turbulento antecipou uma relação que durante muitos anos esteve longe de ser simples.
Messi chegou a quatro finais importantes sem conquistar o título: Copa América de 2007, Copa do Mundo de 2014 e Copas América de 2015 e 2016.
Depois da derrota para o Chile na decisão de 2016, anunciou que não jogaria mais pela seleção.
Voltou meses depois.
A história começou definitivamente a mudar em 2021.
No Maracanã, contra o Brasil, Messi levantou a Copa América e conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal.
Em 2022, venceu a Finalíssima contra a Itália, em Wembley.
Meses depois, no Catar, alcançou o título que perseguira durante praticamente toda a carreira.
A Argentina venceu a França nos pênaltis após empate por 3 a 3 e conquistou sua terceira Copa do Mundo. Messi marcou duas vezes na final e levantou a taça como capitão.
Em 2024, conquistou novamente a Copa América.
A última Copa do Mundo veio em 2026. Mesmo aos 39 anos, Messi marcou oito gols e ajudou a Argentina a chegar novamente à decisão. Desta vez, a seleção terminou com o vice-campeonato após a derrota para a Espanha.
Pouco depois do Mundial e após a morte do pai, Messi anunciou que encerraria sua trajetória pela seleção.
208 jogos e 126 gols
Messi deixa a Argentina como recordista de partidas e maior artilheiro da história da seleção.
Foram 208 jogos e 126 gols desde a estreia em 2005.
Pela equipe principal, conquistou duas Copas América, em 2021 e 2024, a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo do Catar. Pela Argentina, também foi campeão mundial sub-20 em 2005 e conquistou o ouro olímpico em Pequim, em 2008.
A relação com a seleção atravessou críticas, derrotas, uma aposentadoria revertida e uma sequência de títulos que mudou os últimos anos de sua história com o futebol argentino.
Na terça-feira, não havia mais cobrança.
Depois do jogo, milhares de torcedores permaneceram nas arquibancadas enquanto Messi seguia no gramado, cercado pela família, companheiros e integrantes da seleção.
O Monumental ainda tinha uma última palavra para o camisa 10.
“Gracias, Leo.”


