Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele comemorou a apresentação de uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que ampliaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A conversa teria ocorrido em agosto de 2024, no mesmo dia em que o parlamentar apresentou uma alteração à Proposta de Emenda à Constituição que tratava da autonomia financeira do Banco Central do Brasil.
Em mensagem enviada à então companheira, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro afirmou que a iniciativa poderia provocar forte impacto no sistema financeiro.
“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco” – escreveu o empresário.
Proposta aumentava garantia a investidores
A emenda defendia elevar o limite de cobertura do FGC — mecanismo que protege depósitos bancários em caso de quebra de instituições financeiras — dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão por cliente.
O fundo é mantido pelas próprias instituições financeiras e garante aplicações como CDBs, contas-correntes e poupança em caso de intervenção ou liquidação de bancos.
Mudanças nesse limite costumam gerar debate no sistema financeiro, já que podem alterar o equilíbrio de competição entre bancos de diferentes portes.
No mercado, a proposta acabou apelidada de “emenda Master”, em referência ao possível impacto positivo para o Banco Master, instituição controlada por Vorcaro.
Modelo de captação entrou no radar de autoridades
O Banco Master passou a ser alvo de investigações após autoridades apontarem um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com remuneração elevada e cobertura do FGC.
Em alguns casos, as taxas oferecidas chegaram a superar 130% do CDI, o que atraiu investidores em busca de maior rentabilidade.
Especialistas do setor financeiro avaliam que a ampliação do limite de garantia poderia aumentar o apelo comercial dessas aplicações, ampliando a percepção de segurança para investidores.
Apesar da repercussão no mercado, a emenda apresentada por Ciro Nogueira não avançou no Congresso. A própria PEC à qual ela foi anexada também ainda não foi votada no Senado.
Relação mencionada nas mensagens
Em outra conversa atribuída ao banqueiro, Vorcaro menciona o senador como alguém próximo em seu círculo pessoal.
“Ciro nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, explicou Vorcaro.
Outro ponto que chamou atenção nas investigações foi a rapidez com que o empresário tomou conhecimento da emenda. O documento legislativo foi registrado no sistema do Senado no fim da tarde e a mensagem celebrando a proposta foi enviada pouco mais de uma hora depois.
Defesa do senador
Embora Vorcaro tenha descrito o senador como “um dos meus grandes amigos de vida”, a assessoria de Ciro Nogueira afirmou que ele mantém diálogo com centenas de pessoas e que trocas de mensagens não indicam proximidade pessoal ou relação indevida.
Em nota, a equipe do parlamentar declarou que o senador “está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal nas denúncias que envolvem o empresário” e que nunca manteve qualquer conduta irregular relacionada ao caso.
Debate sobre influência no sistema financeiro
A divulgação das mensagens reacendeu discussões em Brasília sobre a relação entre interesses do sistema financeiro e a tramitação de propostas no Congresso.
Mudanças nas regras do FGC são consideradas estratégicas porque podem alterar a dinâmica de captação de recursos entre bancos grandes e médios, além de impactar diretamente o nível de risco assumido pelo sistema financeiro em eventuais crises bancárias.






