Coluna

A INSÔNIA DO PRESIDENTE

Rio de Janeiro - O presidente Jair Bolsonaro não anda dormindo direito.

Ninguém em Brasília está falando disso, mas há uma crise de sono no governo Bolsonaro e está se tornando cada vez mais séria. O que é estranho, já que o presidente diz ter perfil de atleta e glândulas excepcionais.

Integrantes do gabinete de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, no entanto, estão preocupados com o cansaço físico e mental do presidente. Os baixos índices nas pesquisas para a sua reeleição são apontados como as razões que têm afetado o sono do presidente.

Bolsonaro vive um dilema mortal. Atormentado, o presidente passa as noites em claro, vagando pelos corredores escuros e úmidos do Palácio da Alvorada. Segundo alguns assessores, o capitão anda se sentindo mais inútil do que bolso de pijama.

BOLSONARO
Divulgação / Câmara - 

O capitão está sofrendo de insônia há dias, e tem enviado mensagens em grupos de whatsapps ao longo da madrugada. Na quarta, o presidente mandou mensagem para Damares Alves, às 3h30 da madrugada.

“Como trabalha nosso presidente. A primeira mensagem que me mandou hoje era 3h30. Esse homem não dorme”, contou orgulhosa Damares, numa live na quarta.

Mas nem todos os ministros estão satisfeitos com as ligações feitas de madrugada pelo presidente, até porque isso tem atrapalhado o sono e a vida social dos parlamentares.

Segundo um integrante do gabinete presidencial, ele tem recebido mensagens do presidente às 2h, 4h, 6h da manhã, o que tem deixado sua esposa irritada e atrapalhado sua vida sexual.

Bem, posso imaginar como tem sido o dia-a-dia do capitão:

Quando os ministros chegam para a reunião no gabinete do presidente, Bolsonaro está cochilando em sua cadeira.

- Será que alguém pode acordar o presidente? - perguntou um ministro.

O presidente acorda:

- Zzzzzzzzzz… Hã!? Sim, senhores ministros!

- Quantas horas o senhor dormiu esta noite, presidente?

- Três horas, ministro, mas acordava sobressaltado a todo instante. A CPI da Pandemia, o caso dos pastores, a derrota na PEC do voto impresso e a unanimidade das pesquisas apontando que, hoje, eu seria derrotado no primeiro turno tem tirado meu sono.

- Quer que eu chame o Dr. Queiroga para examinar o senhor?

- Tá louco? - gritou o presidente. - Ele vai me receitar cloroquina.

- O senhor precisa se acalmar, essa ansiedade pode fazer mal a sua saúde.

- E culpa dessa imprensa militante dizendo que eu sou preguiçoso. Que calúnia! Só não vou argumentar contra essa infâmia porque dá muito trabalho. Joice Hasselmann (PSL) disse em uma entrevista que eu tenho um ‘quarto da soneca’ no Planalto. E daí? E se eu tiver? O presidente Pedro Sánchez, da Espanha, todos os dias faz a ‘siesta’, por que eu também não posso tirar uma soneca depois do almoço?

- Se o senhor ficar cochilando durante o expediente, fará jus à fama de que não gosta de trabalhar.

- Fake news, isso daê. Segundo um desses institutos que não tem nada melhor para fazer que ficar xeretando a vida do presidente, eu trabalho, em média, menos de 3 horas por dia.

- A alta do preço dos combustíveis, a inflação, o preço dos alimentos, do botijão de gás e os brasileiros passando fome é a causa da sua rejeição, presidente.

- Outra fake news! A rejeição a minha reeleição é uma conspiração internacional das elite reacionárias neoliberais preconceituosas comandadas pelo STF, que não aceitam que um simples capitão rude, ignorante, misógino, racista e genocida, amigo do Ustra, seja presidente da República.

Injustiça!! - disse o ministro, com um sorriso no canto da boca.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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