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O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO

Livros de memórias são sempre uma reconstrução criativa, na qual se recriam fatos e histórias antigas, fisionomias que se foram, imagens de um mundo que já não existe mais.

No livro “O Homem mais Feliz do Mundo - A bela vida de um sobrevivente de Auschwitz” (Editora Intrínseca - 224 págs.), no entanto, tudo ainda está lá, do jeito que aconteceu, vivo, inclusive a resistência e a potente, contagiante e valiosa lição de resiliência.

livro o homem mais feliz do mundo
Divulgação - 

Eddie Jaku, um sobrevivente do Holocausto, escreveu suas memórias para abrandar remosos, para dar sentido a vida, para dar testemunho de sua época e seguir em frente.

No livro, dedicado às futuras gerações, Eddie reconhece o sofrimento, mas se nega a ser definido por ele . Logo no prólogo, Eddie diz:

“Meu querido novo amigo.

Estou vivo há um século e sei o que é olhar o mal na cara. Vi o pior da humanidade, os horrores dos campos da morte, os esforços dos nazistas para exterminar minha vida e a de todo o meu povo.

Mas hoje me considero o homem mais feliz do mundo.

Ao longo de todos esses anos, aprendi o seguinte: a vida pode ser bela se você a torna bela.

Vou lhe contar minha história. Algumas partes dela são tristes, com muita escuridão e muita dor. Mas é uma história feliz no fim, porque felicidade é algo que podemos escolher. Cabe a você”.

Eddie Jaku nasceu na Alemanha, em 1920, como Abraham Jakubowicz. Preso em novembro de 1938, durante a Segunda Guerra Mundial; foi mantido prisioneiro por sete anos nos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald.

"De repente, eu tinha perdido tudo: minha família, minhas posses, o que restava de minha fé na humanidade. Só me foi permitido manter o cinto, minha única lembrança de uma vida que eu nunca mais veria" - lamenta.

Em 1945, Eddie Jaku escapou da ‘Marcha da Morte’ ao ser resgatado por soldados aliados.

Cinco anos depois, mudou-se com a família para a Austrália, onde vive até hoje. É casado com Flore há 47 anos e tem dois filhos, netos e bisnetos. Em 2021, um ano depois de celebrar seu centésimo aniversário, sua biografia venceu o prêmio australiano ‘ABIA- Biography Book of the Year’.

Mais do que judeu, Eddie sempre se considerou alemão. Ele sentia orgulho do seu país natal e não compreendeu o violento antissemitismo que assolou a Alemanha. Após esta profunda decepção e todas as provações pelas quais passou, Eddie jurou sorrir em todos os dias que ainda lhe restam de vida.

Esta obra poderosa e emocionante - uma linda homenagem àqueles que não resistiram - é uma lição de esperança que nos mostra que, mesmo após situações tenebrosas, ainda é possível ser feliz.

“A vida pode ser bela se você a torna bela. Cabe a você.” - diz Eddie.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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