Rio de Janeiro – Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha – e muito – é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).
Ligado à Secretaria de Comunicação – SECOM – o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial Fabio Wajngarten.
Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.
Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.
Não é segredo para ninguém que o presidente tem feito tudo o que pode para dar boas notícias a nação; mas as notícias das últimas semanas não são exatamente boas:
O presidente Jair Bolsonaro tinha acabado de acordar quando o secretário Fabio Wajngarten bateu na porta do seu escritório, no Palácio do Planalto.
– Presidente, as redes sociais estão em polvorosa! Os seus seguidores ficaram muito chateados com a fala do General Eduardo Pazuello. Até o Olavo de Carvalho tá falando cobras e lagartos da notícia divulgada pelo general de que o seu governo vai comprar 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac.
– Pa-ti-fa-ria!! A culpa é dessa imprensa marromzista!
– O que o senhor vai fazer, presidente?
– Não sei. Vou consultar as redes sociais. Quero saber a opinião dos meus seguidores no tocante a isso daí – disse o presidente, ligando o celular.
– O General Pazuello declarou, em reunião com governadores, que o governo federal assinou um protocolo de intenções para a compra da vacina produzida pelo Instituto Butantan, e que ela seria o “imunizante brasileiro” na luta contra o vírus – disse o secretário.
– Desmente o Pazuello. Publica no meu Twitter que eu estou desautorizando qualquer membro do meu governo a falar em compra da vacina chinesa. Eu não vou comprar nada desses chineses comunistas. Não justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem.
– Mas, presidente, o senhor gastou muito mais para produzir a Cloroquina que não serve para nada.
– Isso daí já é outra “cuestão”.
– Mas, presidente, foi o senhor que autorizou a entrevista do general Pazuello sobre a compra da vacina. Vai pegar muito mal para o seu Ministro da Saúde. O senhor está queimando outro ministro.
– O que você quer que eu faça? Eu que não vou botar a minha “bunda na seringa”. E depois, todo mundo sabe que ele não é médico mesmo. Ele é paraquedista.
– O senhor não tem medo de perder mais um ministro da saúde?
– Põe a culpa na imprensa, então. Diz que eles distorceram as declarações do ministro. Todo mundo sabe que a imprensa adora publicar mentiras. Eles inventaram até que já houve Ditadura Militar no Brasil.






