20,Sep
Coluna

MINHA TARA POR PÉS

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Rio - Coisa chata é ser apresentado a uma pessoa que você sabe quem é, mas não lembra o nome de jeito nenhum.

Aprendi com o dr. Drauzio Varella, que esse constrangimento se deve ao fato de que a área cerebral envolvida no reconhecimento de faces é separada daquela responsável pelo arquivamento de nomes próprios.

Somos bons reconhecedores de fisionomias porque essa habilidade foi essencial à sobrevivência. Notadamente, hoje, no mundo violento em que vivemos, perceber se quem vem em nossa direção é amigo ou inimigo vale muito mais do que saber seu nome.

Mas , estranhamente, nunca esqueci do nome de uma mulher com os pés bonitos.

Isso tem um nome: "Podolatria". Literalmente, "Podolatria" significa “amar os pés”, “idolatrar os pés”. O termo é frequentemente usado para descrever uma espécie de fetiche erótico.

Conheci minha primeira mulher, Irene, assim.

Trabalhávamos juntos. E sempre que entrava na sua sala, ficava admirando seus pés. Ela fazia o possível para escondê-los debaixo da mesa.

Nunca falei sobre isso. Tinha vergonha.

Depois que descobri que Elvis Presley e Quenti Tarantino, lá fora e Carlos Eduardo Novaes e Henfil, meus ídolos, aqui no Brasil, eram fissurados em pés femininos, desencuquei.

Henfil contava que sua fixação por pés começou muito cedo, na infância, no berço, ainda:

Na parede em frente havia, sobre um suporte, uma imagem de Nossa Senhora pisoteando a serpente.

Ele não conseguia tirar os olhinhos dos pés da Madona.

Talvez, por isso, Henfil desenhava pés tão bem.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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