A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, criticou duramente o governo interino de Delcy Rodríguez, elogiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que pretende voltar à Venezuela “o mais breve possível” após a captura do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3). A declaração foi dada em entrevista à Fox News e representa uma das posições mais contundentes da oposição neste momento de crise política no país.
As falas de Corina Machado contrastam com a postura adotada por setores da oposição considerados moderados, que seguem defendendo negociações com o governo interino de Delcy Rodríguez. Esse grupo aposta no diálogo institucional como caminho para avanços políticos, incluindo a libertação de pessoas classificadas como presas políticas.
Na entrevista à emissora Fox News, Corina Machado acusou Delcy Rodríguez de ser uma das principais responsáveis pela repressão estatal e questionou sua legitimidade diante da comunidade internacional. “Ela é uma das principais arquitetas da repressão. É aliada e intermediária da Rússia, China e Irã. Certamente não é alguém em quem investidores internacionais possam confiar”, afirmou.
Na mesma entrevista, a oposicionista agradeceu a Trump pela ação contra Maduro e disse que o sábado (3) entrará para a história como “o dia em que a Justiça derrotou a tirania”. Segundo ela, a Venezuela estaria agora mais próxima da liberdade. A líder oposicionista também voltou a sugerir que poderia assumir um papel central na reorganização política do país após a saída de Maduro.
A declaração ocorre em meio a disputas internas dentro da oposição. Enquanto Corina Machado adota um discurso de ruptura imediata, setores mais moderados avaliam que a transição política depende de acordos graduais com o atual governo interino, sobretudo para evitar o agravamento da instabilidade institucional e social.
Proibida de disputar as eleições presidenciais de 2024 por conta de uma condenação por corrupção quando era deputada, María Corina Machado indicou o diplomata Edmundo González como candidato ao pleito realizado em 28 de julho do ano passado. De acordo com os dados oficiais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), González foi derrotado por Maduro, o que a oposição contesta.
A falta de divulgação detalhada dos resultados por urna levou observadores internacionais e diversos países a não reconhecerem o resultado da eleição. A oposição sustenta que Edmundo González foi o verdadeiro vencedor do pleito.
Durante a entrevista, Corina Machado voltou a defender a realização de novas eleições e apresentou uma agenda econômica liberal para o país.
“Transformaremos a Venezuela no centro energético das Américas. Traremos o Estado de Direito. Abriremos os mercados. Daremos segurança ao investimento estrangeiro. E traremos de volta para casa milhões de venezuelanos que foram forçados a fugir do nosso país”, declarou.
Em outubro, María Corina Machado foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz por sua atuação contra os governos chavistas. Ela deixou a Venezuela em dezembro e viajou para a Europa para receber a premiação.
Também no exterior, Edmundo González voltou a afirmar que é o presidente legítimo da Venezuela e avaliou que a prisão de Maduro foi um passo relevante, mas insuficiente para uma transição completa. “Dirijo-me com calma e clareza às Forças Armadas Nacionais e às forças de segurança do Estado. Seu dever é defender e fazer cumprir o mandato soberano expresso em 28 de julho de 2024”, afirmou.






