A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, afirmou na noite desta segunda-feira (26) que os princípios internacionais de proteção aos direitos humanos vêm sendo progressivamente esvaziados por potências globais e grupos políticos que concentram poder. Segundo ela, compromissos firmados após grandes tragédias do século XX estariam sendo deixados de lado em nome de interesses geopolíticos e disputas de força.
Durante um encontro realizado na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, a ministra afirmou que conceitos como democracia e soberania vêm sendo reinterpretados para justificar a imposição da vontade dos mais fortes sobre países e populações mais vulneráveis. Para Macaé, esse movimento representa um retrocesso em acordos históricos construídos para evitar novos ciclos de violência, autoritarismo e violações de direitos.
A fala ocorreu em um espaço carregado de simbolismo: a Casa do Povo foi criada pela comunidade judaica no período pós-Segunda Guerra Mundial como memorial às vítimas do nazismo e, décadas depois, também se tornou um centro de resistência cultural e política durante a ditadura militar no Brasil.
Visita a instituições judaicas e atenção a violações no território
Antes do evento, a ministra percorreu instituições ligadas à memória e à assistência social na região, incluindo o Memorial do Holocausto e a organização beneficente Ten Yad. A agenda também incluiu uma caminhada por áreas do Bom Retiro, bairro que concentra contrastes sociais e episódios recentes envolvendo remoções, conflitos urbanos e denúncias de violações contra populações vulneráveis.
O diretor da Casa do Povo, Benjamin Seroussi, destacou que o território reúne tanto a história de resistência da comunidade judaica quanto problemas atuais ligados à exclusão social, despejos e violência contra pessoas em situação de rua. Segundo ele, lembrar o passado é essencial para compreender e enfrentar formas contemporâneas de opressão.
Direitos humanos, memória e política internacional
Ao relacionar o contexto internacional com a realidade brasileira, Macaé Evaristo ressaltou que os direitos humanos não são garantias definitivas, mas conquistas políticas que precisam ser constantemente defendidas. Para a ministra, espaços de memória como a Casa do Povo ajudam a manter viva a noção de que os pactos civilizatórios surgiram como resposta a períodos de barbárie e não podem ser tratados como descartáveis.
Ela também reforçou que o debate sobre antissemitismo deve caminhar junto com o enfrentamento de outras formas de discriminação, desigualdade e violência estrutural, sobretudo em territórios historicamente marcados por exclusão.





