O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (6) que pretende transformar o Brasil em um país desenvolvido ao longo dos próximos quatro anos.
A declaração foi feita durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília, ao defender que o país aproveite melhor suas vantagens nas áreas de energia, mineração, infraestrutura e tecnologia.
“Eu quero, em apenas quatro anos, tirar o Brasil do estágio de país em desenvolvimento e colocá-lo no estágio de país desenvolvido.”
Lula disse considerar “extraordinárias” as perspectivas brasileiras e citou como principais ativos a produção de energia renovável, as reservas de minerais críticos e terras raras e a capacidade de atrair investimentos produtivos.
A fala ocorre um dia depois de o governo aprovar uma lista com 27 minerais considerados críticos e estratégicos. Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio ficaram no grupo de maior prioridade.
A política para o setor prevê incentivos ao processamento e à transformação desses minerais no Brasil, com o objetivo de ampliar a participação do país em cadeias de maior valor agregado, como baterias, veículos elétricos, eletrônicos e sistemas de armazenamento de energia.
Lula quer data centers com geração própria de energia
O presidente também citou o interesse internacional pela instalação de data centers no Brasil.
Segundo Lula, o governo pretende atrair esses investimentos, mas quer que os empreendimentos construam ou contratem novas fontes de geração para atender ao próprio consumo.
“Quem vier investir construa a sua própria energia. Não vai ser a energia do povo que vai ser utilizada para data center.”
Os data centers exigem grande quantidade de eletricidade para manter servidores, sistemas de refrigeração e equipamentos funcionando de forma contínua.
Lula defendeu que a disponibilidade brasileira de energia renovável seja usada para atrair novos projetos sem comprometer o abastecimento destinado aos demais consumidores.
Transição energética entra na estratégia
Durante a reunião do CNPE, Lula também destacou o chamado Mapa do Caminho para a transição energética, elaborado no contexto dos compromissos assumidos pelo Brasil nas discussões climáticas internacionais.
O documento trata da redução gradual da dependência dos combustíveis fósseis e de medidas para combater o desmatamento e a degradação florestal.
Ao comentar o avanço da proposta, Lula disse que metas inicialmente consideradas difíceis podem ser alcançadas com decisão política e negociação internacional.
“Vocês sabem que na minha vida não existe a palavra impossível.”
O presidente associou a transição energética ao desenvolvimento industrial e à possibilidade de o Brasil ampliar sua presença em setores ligados à economia de baixo carbono.
Articulação no Congresso
Lula também atribuiu parte dos resultados obtidos pelo governo à negociação com o Congresso Nacional.
Segundo o presidente, o governo conseguiu aprovar medidas importantes mesmo sem possuir maioria própria entre deputados e senadores.
“Conseguimos esse sucesso todo num Congresso teoricamente adverso.”
Lula citou a capacidade de negociação e de construção de acordos como parte da estratégia adotada pelo governo para aprovar projetos econômicos e estruturais.
Responsabilidade fiscal e investimentos
O presidente voltou a defender a combinação entre responsabilidade fiscal e manutenção de investimentos sociais.
Lula afirmou que pretende continuar controlando as contas públicas sem transferir o peso do ajuste para a população de menor renda.
“A única coisa que o mercado tem que saber é que o pobre não pagará a conta. Não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício.”
Ele também defendeu a contratação de financiamentos para projetos estruturantes quando os recursos forem destinados à criação de patrimônio público.
Entre os exemplos citados estão ferrovias, estradas, pontes e aeroportos.
“Ninguém pode gastar mais do que tem. Agora, se a gente quiser construir um ativo novo, você pode fazer dívida, mas para construir um patrimônio para esse país.”
Para Lula, energia limpa, infraestrutura, minerais estratégicos, tecnologia e atração de investimentos formarão a base da estratégia econômica do próximo mandato.


