A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). Depois de Lula formalizar a autorização para divulgação dos próprios dados e de familiares, Flávio informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que também aceita abrir seus sigilos, mas apresentou uma série de condições.
Horas depois, a campanha de Lula anunciou que concorda com todas as exigências apresentadas pelo adversário e que formalizará a resposta no TSE nesta quinta-feira (22).
“Todas as condicionantes que ele colocou, a resposta do presidente é que ele não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo. Contanto que ele também cumpra e abra tudo que está no pedido protocolado junto ao TSE”, afirmou Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula.
A campanha petista anunciou que estará no Tribunal às 11h desta quinta e cobrou que Flávio também cumpra, no mesmo prazo, a autorização apresentada à Justiça.
“Não pode deixar para depois da eleição”, afirmou Camilo. O segundo turno será realizado no domingo (25).
Flávio amplia período para 20 anos e faz novas exigências
Na manifestação enviada ao TSE, Flávio declarou concordar com a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, período superior aos oito anos inicialmente propostos por Lula.
A autorização, porém, foi condicionada à ampliação dos dados que deverão ser apresentados pelo presidente.
Entre as exigências, Flávio pediu a inclusão dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente.
Também exigiu a divulgação dos registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto, além de outras informações relacionadas a pessoas apontadas pelo candidato do PL em sua petição.
Flávio classificou o pedido apresentado anteriormente por Lula como uma “verdadeira aberração jurídica” e argumentou que o presidente poderia simplesmente tornar públicos seus extratos sem recorrer ao TSE.
Apesar da crítica, o próprio candidato do PL apresentou sua manifestação à Justiça Eleitoral, onde os pedidos dos dois candidatos foram encaminhados ao ministro André Mendonça.
Lula diz que aceita todas as condições
A resposta da campanha de Lula veio no mesmo dia.
Camilo Santana informou que o presidente não se opõe à ampliação do período nem à inclusão das pessoas e informações solicitadas por Flávio.
Com isso, a campanha petista busca retirar as condições apresentadas pelo candidato do PL como impedimento para a abertura dos dados.
A concordância será formalizada no TSE nesta quinta-feira. Segundo Camilo, Flávio deverá então cumprir a própria proposta e permitir a divulgação de seus sigilos e dos dados relacionados aos familiares e empresas já incluídos no pedido apresentado inicialmente por Lula.
Desafio começou no debate da Band
A discussão começou durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18).
Em meio a acusações sobre corrupção, Lula desafiou Flávio a abrir contas bancárias e sigilos telefônicos e propôs que a medida alcançasse também familiares.
“Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, afirmou Lula durante o debate.
Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou naquele momento que aceitaria a proposta nos mesmos termos.
Na terça-feira (20), Lula levou o desafio à Justiça Eleitoral.
O presidente protocolou documento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, além dos dados da primeira-dama Janja e de seus cinco filhos, desde que Flávio adotasse a mesma medida. A autorização também alcançou empresas vinculadas aos candidatos.
No caso de Flávio, Lula pediu a divulgação dos dados do senador, de sua esposa Fernanda, do ex-presidente Jair Bolsonaro, de Rogéria Bolsonaro e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.
A proposta incluiu ainda empresas relacionadas ao candidato do PL.
Condições aceitas colocam desafio novamente sobre Flávio
Ao responder na quarta-feira, Flávio não rejeitou a abertura dos sigilos, mas ampliou o período de oito para 20 anos e acrescentou novas exigências envolvendo pessoas próximas a Lula.
Com a decisão da campanha petista de aceitar essas condições, deixa de existir, pelo menos do lado de Lula, a divergência sobre o alcance proposto por Flávio.
A expectativa agora é pela formalização das autorizações e pela definição da Justiça Eleitoral sobre como e em que condições essas informações poderão ser disponibilizadas publicamente.
As petições apresentadas pelos dois candidatos estão sob relatoria do ministro André Mendonça no TSE.
A corrida para tornar os dados públicos ocorre a apenas três dias do segundo turno, marcado para domingo.


