Uma loja online de Ribeirão Preto (SP) encontrou uma fórmula pouco convencional para crescer nas redes sociais: responder ataques políticos com ironia afiada, memes improvisados e até correções gramaticais. A Lojinha Reflexiva, que se define abertamente como uma “lojinha esquerdista”, já avisa na bio o que o visitante vai encontrar: resistência, humor e lacração.
Os produtos, em geral com referências políticas e culturais ligadas à esquerda, até chamam atenção. Mas o verdadeiro show acontece nos comentários. A página é alvo constante de mensagens agressivas de internautas alinhados à extrema direita. Em vez de apagar ou bloquear, a estratégia é simples: responder tudo, sempre com deboche.
E quanto mais ácido o comentário, mais criativa costuma ser a resposta.
Deboche sem economia
Em uma publicação que divulgava um copo térmico com o rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um internauta disparou: “tem que ser muito trouxa para comprar”. A réplica veio no mesmo tom, mas com repertório ampliado:
“Trouxa é quem reza pra pneu, faz sinal pra E.T., invade prédio público e vai preso de graça.”
Já outro internauta classificou o produto como “porcaria” e questionou quem compraria aquele “lixo”. A resposta veio em tom debochado: a loja afirmou que o modelo tinha boa saída e ainda ironizou dizendo que só não vendia versões com o ex-presidente Jair Bolsonaro, porque “o pessoal dele não consegue segurar o copo com os cascos”. “Escorrega muito”, concluiu.
Gramática também entra na brincadeira
Em outra situação, o perfil de uma loja de variedades resolveu entrar na discussão e criticou a postura da Lojinha Reflexiva: “Para um logista vc é bem sem noção. Agora se quiser se aparecer está no caminho certo, só faltou uma melancia na cabeça”.
A resposta não perdeu a chance de ironizar — nem de dar uma aula básica: “Lojista é com J. Posso te ajudar com mais alguma coisa?”
Os erros de português dos críticos viraram mais uma fonte de entretenimento. Um comentário com “Deus mim livre” recebeu uma resposta direta, no melhor estilo meme clássico:
“‘Mim’ não faz nada, Tarzan.”
Já em outras postagens, comentários sobre “capitalismo”, “lacração” e “vitimismo” rendem respostas curtas, secas e igualmente irônicas. Após um comentário resumido a “isso é capitalismo”, a resposta foi direta e curta: “Não, é um copo”.
Conteúdo que viraliza
Os comentários mais curiosos costumam ganhar vida própria. A loja frequentemente transforma essas interações em novas publicações, sempre ocultando o nome e a foto dos autores originais, o que evita exposição direta e mantém o foco na piada.
O resultado é um engajamento fora da curva. O perfil já se aproxima de 500 mil seguidores, impulsionado por compartilhamentos que extrapolam o público original e alcançam até quem não concorda politicamente, mas acompanha pela diversão.
Em tempos de polarização, a Lojinha Reflexiva parece ter encontrado um nicho claro: transformar conflito político em entretenimento digital, com humor afiado e zero paciência para desaforo.






