Mais de 42 toneladas de lixo e entulho foram retiradas do Ribeirão Arrudas em menos de um mês de limpeza em Belo Horizonte. A operação, realizada antes da chegada do período chuvoso, expõe mais uma vez a quantidade de resíduos descartados irregularmente em um dos principais cursos d’água da capital.
Desde 21 de julho, foram recolhidas 42,7 toneladas no trecho entre a Avenida do Contorno, no bairro Santa Efigênia, e a Rua Santa Tereza, no Granja de Freitas, na Região Leste.
No leito do Arrudas, os garis encontram de tudo: móveis e eletrodomésticos abandonados, garrafas PET, sacos de lixo doméstico, restos de poda, material de construção e até animais mortos. Os resíduos retirados são levados para a Central de Tratamento de Resíduos Macaúbas, em Sabará.
O volume chama atenção quando comparado com operações anteriores. Em julho do ano passado, uma limpeza realizada em outro trecho da Avenida dos Andradas tinha previsão de retirar entre 15 e 20 toneladas de resíduos em dez dias. Na ocasião, colchões, móveis, entulho e lixo doméstico também estavam entre os materiais encontrados.
A retirada não tem apenas finalidade estética. O acúmulo de lixo pode comprometer o escoamento da água e contribuir para obstruções do sistema de drenagem durante temporais. O Arrudas tem um longo histórico de transbordamentos e inundações, com impactos sobre moradores, comerciantes e o trânsito em diferentes pontos de Belo Horizonte.
A própria configuração urbana da bacia aumenta o problema. Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, a canalização do ribeirão e a intensa impermeabilização do solo contribuem para enchentes ao longo das bacias do Arrudas e do Rio das Velhas. O curso d’água também sofre com poluição provocada pelo lançamento de esgoto, efluentes e resíduos.
Garis descem sete metros até o leito
A limpeza é feita por uma equipe de 12 garis com apoio de dois caminhões basculantes. O trabalho exige cuidados especiais porque os profissionais atuam em meio ao lodo e sobre superfícies escorregadias.
Em alguns pontos, os trabalhadores precisam descer cerca de sete metros, da Avenida dos Andradas até o leito do ribeirão, e utilizar cordas para retirar o material acumulado. A complexidade desse tipo de operação já levou equipes responsáveis pela limpeza do Arrudas a receber orientação para utilização de técnicas de rapel.
O trabalho deve continuar até o fim de agosto.
A limpeza do Arrudas integra as medidas preventivas adotadas antes do período de chuvas em Belo Horizonte. Entre outras ações, a cidade realiza a limpeza de bocas de lobo e de cursos d’água para tentar preservar a capacidade de drenagem durante as tempestades.
Apesar das operações realizadas periodicamente, a variedade e o volume de objetos retirados mostram que o descarte irregular continua sendo parte do problema. Em outras limpezas do Arrudas, já foram encontrados colchões, geladeiras, guarda-roupas, tanques de lavar roupa e outros objetos que deveriam ter destinação adequada.
Em Belo Horizonte, entulho, madeira, pneus e móveis velhos podem ser entregues gratuitamente nas Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPVs), respeitado o limite diário estabelecido pelo município.


