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Home Colunas

JIMMY SCOTT, UMA LENDA DO JAZZ

Por Ediel Ribeiro
9 de maio de 2022 - 16:37
em Colunas

Jimmy Scott / Divulgação - 

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Muita gente – até mesmo os fãs do jazz e do soul – acredite, nunca tinha ouvido falar de Jimmy Scott. 

Até pouco tempo, nem eu. Mas isso não é, necessariamente, ignorância da música negra americana, longe disso. O cantor, um dos mais icônicos do jazz, paradoxalmente, foi um dos menos badalados.

James Victor Scott ou, simplesmente, Jimmy Scott, nasceu em Cleveland (Ohio, nos Estados Unidos), em 17 de julho de 1925.

Terceiro dos dez filhos de Arthur Scott e Justine Standard-Scott, o menino começou a cantar acompanhado ao piano por sua mãe, no coro infantil de uma igreja de Cleveland.

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Teve vários empregos. Aos 12 anos já era conhecido como cantor em Cleveland por sua interpretação de ‘Ferdinand the Bull’, uma canção adaptada de um desenho animado homônimo de Walt Disney .

Em 1938, sua mãe morre em um acidente de trânsito – atropelada por um motorista bêbado – seu pai, então, decide abandoná-lo com seus irmãos.

Com a morte trágica da mãe, Jimmy desenvolve a síndrome de Kallmann, uma doença genética que o impediu de chegar à puberdade e desenvolver seu corpo, o que afetou também suas cordas vocais, dando-lhe um timbre único.

Aos vinte anos, o jovem partiu para tentar a carreira de cantor em Nova York. Sua voz comoveu e influenciou artistas de várias gerações, desde Billie Holiday; Dinah Washington; Axl Rose, do Guns N’Roses; Marvin Gaye; Frankie Valli; Nancy Wilson e Madonna, que disse: “Jimmy Scott é o único cantor que me faz chorar”.

Começou a cantar profissionalmente na década de 1940 e, em 1948, se uniu à banda de Lionel Hampton, com a qual fez sua estreia fonográfica com ‘Hampton’, em 1950, disco que incluiu temas como ‘Everybody’s Somebody’s Fool’, seu maior sucesso.

Scott deixou a banda no início da década de 50. De 1951 a 1955 gravou discos em grandes gravadoras como a ‘Royal Roost’, ‘Coral’, ‘Roost Records’ até que mudou para a ‘Savoy Records’, com a qual lançou seu primeiro LP ‘Very Truly Yours’.

Em 1962 assinou com Ray Charles, que produziu seu álbum ‘Falling in Love Is Wonderful’, seguido por ‘The Soul of Little Jimmy Scott’, ‘The Fabulous Voice of Jimmy Scott’, ‘Jimmy Scott’, ‘Regal Records Live in New Orleans’, ‘Over the Rainbow’ e ‘Moon Glow’, entre outros.

Em 1992 Scott foi indicado ao Grammy de melhor interpretação vocal de jazz com o álbum ‘All the Way’ e durante sua carreira colaborou com artistas como Elton John, Bruce Springsteen, Sting, Lou Reed e Michael Stipe.

Nos Estados Unidos o músico é lembrado, ainda, por sua aparição no capítulo final da série ‘Twin Peaks’, na qual cantou ‘Sycamore Trees’, co-escrita com o criador da série, David Lynch.

Ray Charles chegou a comentar que “Jimmy fazia soul antes mesmo de as pessoas começarem a usar a palavra para denominar esse tipo de música”. 

Jimmy Scott, a lenda, morreu no dia 12 de junho de 2014, aos 88 anos. Segundo Jeanie Scott, esposa do músico, ele morreu enquanto dormia, de parada cardíaca.

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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