O Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (1º) no Tribunal de Justiça de São Paulo. A solicitação envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest e ocorre em meio a uma crise de liquidez que, segundo a empresa, foi agravada pela liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado.
De acordo com o grupo, os compromissos financeiros acumulados chegam a aproximadamente R$ 4 bilhões. No pedido apresentado à Justiça, a Fictor solicita tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, prazo previsto em lei para a apresentação e negociação de um plano de recuperação com os credores.
Tentativa frustrada de aquisição
A crise relatada pela empresa tem relação direta com os acontecimentos de 17 e 18 de novembro de 2025. Um dia antes da liquidação do Banco Master, um consórcio liderado por um dos sócios do Grupo Fictor anunciou a intenção de adquirir a instituição financeira, com um aporte imediato de R$ 3 bilhões. A operação, no entanto, não avançou após o Banco Central decretar a liquidação do banco.
Em comunicado, o grupo afirma que a decisão do BC, tomada um dia após o anúncio da compra, desencadeou especulações no mercado e um volume elevado de notícias negativas, o que teria afetado diretamente a reputação e a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding.
Dívidas e plano de negociação
Apesar do pedido de recuperação judicial, o Grupo Fictor afirma que pretende quitar integralmente os compromissos financeiros, sem deságio, negociando novos prazos e condições com os credores. Segundo a empresa, a maior parte das dívidas está concentrada em sócios participantes, que representam a maioria dos credores.
“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico”, diz a nota divulgada pelo grupo, que destaca a intenção de preservar as operações e evitar corridas individuais de credores que possam agravar a crise de caixa.
Empregos e subsidiárias fora do processo
O pedido de recuperação judicial não inclui as subsidiárias operacionais do grupo. Segundo a Fictor, essas empresas devem seguir com suas atividades, contratos e projetos normalmente.
A principal delas é a Fictor Alimentos, que mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e sustenta uma cadeia de cerca de 3.500 empregos diretos e 10 mil indiretos, de acordo com a empresa.
O advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, responsável por coordenar o pedido, afirmou que os ativos operacionais seguem funcionando e que a base produtiva do grupo permanece relevante, apesar da pressão financeira de curto prazo.
Reestruturação prévia
No comunicado, a Fictor também informa que, após a crise de liquidez, colocou em prática um plano de reestruturação, que incluiu a redução de estrutura física e do quadro de colaboradores. Segundo a empresa, essas medidas foram adotadas antes do pedido de recuperação judicial, com o objetivo de preservar direitos trabalhistas e agilizar o pagamento de indenizações.
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em diferentes frentes, com investimentos nos setores de indústria alimentícia (proteína animal), energia, infraestrutura, real estate e soluções de pagamento.






