Uma ligação recebida na redação do O Folha de Minas, na manhã desta sexta-feira (17), revelou mais uma modalidade de golpe que vem sendo aplicada utilizando indevidamente o nome da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Do outro lado da linha, um homem dizia ser funcionário da empresa e afirmava que o consumidor teria direito a receber valores pagos indevidamente nas contas de energia por causa da cobrança da bandeira vermelha. Segundo ele, o dinheiro seria devolvido por determinação do Procon.
A conversa, no entanto, rapidamente apresentou sinais claros de fraude. A ligação partiu de um telefone com DDD 21, identificado como (21) 98082-7710.
Em vez de encerrar a ligação, a reportagem decidiu acompanhar o desenrolar da abordagem para entender como agem os criminosos e quais argumentos utilizam para convencer as vítimas.
O falso ressarcimento era apenas o início
O golpista dizia que a Cemig teria cobrado valores indevidos durante meses e que o consumidor receberia um reembolso.
Para liberar esse suposto pagamento, porém, surgiam as exigências.
Primeiro vieram os pedidos de confirmação de dados pessoais. Depois, a informação de que seria necessário realizar um depósito em dinheiro para custear despesas da Defensoria Pública, órgão que, segundo ele, estaria intermediando o ressarcimento.
Nenhuma dessas informações possui qualquer relação com os procedimentos adotados pela Cemig ou pelos órgãos de defesa do consumidor.
A conversa mudou quando o golpe foi descoberto
À medida que a ligação avançava, ficou evidente que o objetivo era induzir a vítima a realizar pagamentos.
Quando a tentativa de fraude foi confrontada, o falso atendente abandonou o discurso cordial e passou a agir de forma agressiva.
Foi nesse momento que surgiu uma frase que chamou atenção.
O criminoso afirmou que, caso a proposta apresentada não fosse aceita, providenciaria a aplicação de uma suposta “bandeira preta” na conta de energia.
O sistema tarifário brasileiro não possui nenhuma modalidade chamada “bandeira preta”. A expressão foi utilizada apenas como instrumento de intimidação. Pela forma como foi pronunciada, a ameaça extrapolou a discussão sobre a conta de luz e assumiu um tom que pode ser interpretado como uma tentativa de amedrontar a vítima.
Erros grosseiros denunciaram a fraude
Ainda nos primeiros minutos da ligação, alguns detalhes chamaram a atenção.
O suposto funcionário apresentava dificuldades para se comunicar, cometia erros frequentes de português e demonstrava irritação sempre que era questionado sobre os procedimentos que dizia representar.
Outra característica foi a insistência para que nenhuma confirmação fosse feita diretamente junto à Cemig, comportamento incompatível com qualquer atendimento oficial da concessionária.
Golpe já tem outras modalidades em Minas
A tentativa registrada pela reportagem não é um caso isolado.
Nos últimos dias, moradores de Itabira passaram a relatar uma modalidade diferente de fraude. Nela, criminosos se apresentam nas residências usando motocicletas caracterizadas e identificação semelhante à utilizada por prestadores de serviço da Cemig.
Eles informam que existe uma suposta conta em atraso e ameaçam interromper imediatamente o fornecimento de energia. Em seguida, oferecem a possibilidade de “resolver o problema” mediante pagamento no local, por PIX, dinheiro ou cartão. A Polícia Militar já emitiu alerta à população e reforçou que nenhum funcionário da companhia ou empresa terceirizada está autorizado a receber pagamentos durante visitas técnicas.
Como a Cemig realmente atua
A Cemig não realiza devolução de valores por telefone, não exige depósitos para liberar reembolsos e não solicita pagamentos durante visitas de seus empregados ou empresas contratadas.
Qualquer dúvida sobre contas de energia, cobranças ou débitos deve ser esclarecida exclusivamente pelos canais oficiais da companhia, como o telefone 116, o WhatsApp oficial (31) 3506-1160, o aplicativo Cemig Atende ou o portal da empresa. A própria concessionária mantém alertas permanentes sobre golpes envolvendo boletos falsos, ligações fraudulentas e cobranças indevidas.
Fica o alerta
A experiência vivida pela Redação do O Folha de Minas reforça um cuidado essencial: desconfie sempre de ligações que prometam devolução de dinheiro, exijam pagamentos antecipados ou tentem criar um ambiente de urgência.
Ao menor sinal de irregularidade, encerre a conversa, nunca forneça dados pessoais ou bancários e confirme qualquer informação diretamente pelos canais oficiais da Cemig.
Se houver tentativa de fraude ou prejuízo financeiro, a orientação é registrar um boletim de ocorrência e comunicar imediatamente a Polícia Militar.


