Um filhote de tamanduá-bandeira resgatado na zona rural de Tiros, no Alto Paranaíba, está em processo de reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de Patos de Minas (Cetras). A fêmea foi encontrada ainda agarrada ao corpo da mãe, que morreu após ser atropelada.
O animal chegou à unidade em boas condições de saúde e permanece estável, mas ainda depende de cuidados intensivos por estar em fase inicial de desenvolvimento.
Estratégia para evitar apego humano
Para garantir que o filhote mantenha comportamentos naturais e não desenvolva dependência de humanos, a equipe adotou uma técnica simples e eficaz: o uso de um bicho de pelúcia durante o manejo.
A estratégia simula o dorso da mãe — comportamento típico da espécie — e ajuda a oferecer conforto sem comprometer o processo de reabilitação.
Segundo o médico-veterinário Keniker Borges, o método é essencial para preparar o animal para a vida em liberdade.
“Uma forma de o animal não se apegar ao contato humano é oferecer um bicho de pelúcia, já que ele é naturalmente apegado ao dorso da mãe. Assim, conseguimos garantir mais conforto durante o manejo, respeitando o comportamento da espécie”, explica.
Batizada de Lúcia, a filhote pesa cerca de 2,1 quilos e apresenta comportamento considerado normal para a idade, permanecendo agarrada durante boa parte do tempo.
Ela seguirá sob acompanhamento até atingir autonomia suficiente para sobreviver na natureza. O processo inclui alimentação adequada, estímulo comportamental e redução gradual do contato humano.
A previsão é que, após esse período, o animal seja devolvido ao habitat natural com suporte tecnológico. Em parceria com o Projeto TamanduASAS, Lúcia deverá utilizar um colete com GPS, permitindo o monitoramento da adaptação após a soltura.
Casos como o de Lúcia são comuns em regiões cortadas por rodovias. O atropelamento de animais silvestres é uma das principais causas de morte de espécies nativas no Brasil e representa um desafio para a conservação da biodiversidade.
No caso do tamanduá-bandeira, espécie considerada vulnerável à extinção, a perda de indivíduos impacta diretamente a manutenção das populações.
Papel dos centros de reabilitação
Os centros como o Cetras têm papel central nesse processo. As unidades recebem animais feridos, órfãos ou vítimas de tráfico e atuam desde o resgate até a reintegração à natureza.
Além do atendimento clínico, o trabalho envolve reabilitação comportamental e, sempre que possível, a soltura monitorada — etapa considerada essencial para aumentar as chances de sobrevivência.






