“Quero ficar no teu corpo/Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega/Mas não lava”
– Athaliba, em 1976, Elis Regina, a Pimentinha, gravou “Tatuagem”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, no disco Falso Brilhante. O repertório é aberto com “Como nossos pais”, seguida de “Velha roupa colorida”, de Belchior. De João Bosco e Aldir BLanc tem “Um por todos”, “Jardins de infância” e “O cavaleiro e os moinhos”. Do argentino Atahualpa Yupanqui, “Los Hermanos”; e da chilena Violeta Parra, “Gracias a la vida”. De Thomas Roth, “Quero”. E a valsa “Fascinação”, do italiano Dante Pilade e do francês Maurice de Féraudy, com versão de Armando Louzada.
– Marineth, o apelido da cantora foi dado por Vinicius de Moraes, devido ao gênio explosivo e a intensidade artística dela. Tom Jobim a chamava Hélice Regina e Elis-cóptero, pelos gestos dos braços quando cantava no palco. A biografia, de autoria da jornalista Regina Echeverria, que retrata toda a trajetória da artista, desde a infância até sua morte trágica aos 36 anos, tem o título Furacão Elis. O Falso Brilhante, 14º disco da cantora, surgiu depois do show com aquele título no Teatro Bandeirantes, em São Paulo.
– Exatamente, Athaliba. O musical foi elaborado para contar a história de vida e profissional de Elis, em 1975, tendo críticas à ditadura do golpe empresarial-militar no período de 1964/1985. O título do show foi extraído do bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, de João Bosco e Aldir Blanc. E a direção cênica teve Myriam Muniz, com regência do maestro César Camargo Mariano, que casou com a cantora e com quem tem os filhos Pedro Mariano e Maria Rita. O espetáculo registrou 257 apresentações de 1975 a 1977, com público de cerca de 280 mil pessoas.
– Marineth, o Falso Brilhante está classificado no 36º lugar na lista dos 100 maiores discos
da música brasileira, na avaliação feita pela revista Rolling Stones. E, de acordo com o Jornal do Brasil, o álbum vendeu mais de 180 mil cópias, até os primeiros três meses de 1980, sendo o LP mais vendido da carreira da Pimentinha. É considerado um dos discos mais representativos da MPB. Vale registrar que o álbum foi gravado em apenas dois dias, entre os intervalos diários das apresentações do show.
– Athaliba, respeitada como uma das maiores cantoras da história da música brasileira, a Elis Regina Carvalho Costa nasceu 17/3/1945, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e faleceu 19/1/1982 em São Paulo. Primogênita do casal Ercy Carvalho Costa e Romeu Costa. Despontou no programa Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, em 1956. Inclusive, exerceu a função de secretária da emissora, além de cantar, recebendo cachê. Em dezembro de 1967, aos 22 anos, no Rio de Janeiro, casou com Ronaldo Bôscoli.
– Marineth, com ele, ela teve o filho João Marcelo. Após separações e reconciliações, a Elis se uniu ao César Camargo Mariano, em 1974. Teve o filho Pedro, em 1975, e a filha Maria Rita, em 1977. Separou-se do César em 1981.
– Athaliba, a primeira gravação da Elis foi um compacto simples, com as músicas “Dá sorte” e “Sonhando”, em 1960. O primeiro LP foi Viva a brotolândia, em 1961, sendo coroada a Rainha do Disco Clube. Daí em diante gravou muitos discos. Venceu o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, em 1965, com “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Também ganhou a I Bienal do Samba, com “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.
– Marineth, em 1971, a Elis apresentou o programa Som Livre Exportação, com Ivan Lins. Um dos shows inesquecível foi Transversal do tempo, no Teatro Sistina de Roma, e, depois, no Teatro Lírico de Milão. Também no Club de Vanguardia, em Barcelona, na Espanha, até chegar no Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro. O show resultou num disco gravado ao vivo. Ela recusou se apresentar na Argentina, onde o disco Falso Brilhante fora censurado devido à gravação da música “Gracias a la vida”, de Violeta Parra.
– Athaliba, vale registrar a participação da Elis no Show de Maio, com renda para o fundo de greve dos metalúrgicos, realizado no estúdio da Cia. Vera Cruz de Cinema, em São Bernardo do Campo. As mais de cinco pessoas que a assistiram jamais a esquecerão. Viva Elis Regina!!!







Muito bom