O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma carta direcionada aos católicos brasileiros na qual pede aos eleitores que façam a escolha para o segundo turno da eleição presidencial “à luz de sua consciência, de sua fé, de seus valores” e da realidade vivida pela população. A votação será realizada no próximo domingo, 25 de outubro.
Na mensagem, Lula afirma que a disputa eleitoral ultrapassa “nomes e partidos” e envolve a escolha dos valores que devem orientar o país. O presidente também diz que a política “não pode ser instrumento de ódio, vingança ou privilégio” e que deve estar “a serviço da vida”.
Ao longo da carta, o candidato à reeleição associa sua mensagem a temas como combate à pobreza, valorização do salário mínimo, emprego, educação, saúde, alimentação, agricultura familiar e moradia. As políticas e seus resultados são apresentados pelo próprio presidente como argumentos para que o eleitor considere não apenas promessas e discursos, mas também a trajetória e as ações dos candidatos.
Lula também cita a proteção da família, a liberdade religiosa e de consciência, a redução das desigualdades e a defesa da democracia entre os compromissos que, segundo ele, devem orientar o próximo governo.
“Peço a vocês um voto motivado pela verdade, pelo respeito ao próximo e pela justiça. Peço um voto consciente”, afirma.
A carta aos católicos faz parte de uma movimentação da campanha de Lula voltada aos segmentos cristãos na reta final da eleição. Na semana passada, o presidente divulgou uma mensagem específica às famílias evangélicas, na qual também recorreu à fé, à proteção da família e a ações de seu governo para pedir reflexão sobre o voto.
O eleitorado religioso tem peso relevante na disputa. Pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro mostrou Lula com 52% das intenções de votos válidos entre os católicos, contra 42% de Flávio Bolsonaro (PL). No conjunto do eleitorado pesquisado, os dois candidatos apareciam tecnicamente empatados.
Confira a íntegra da carta de Lula aos católicos
“Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
No dia 25 de outubro, teremos diante de nós uma escolha que ultrapassa nomes e partidos. Vamos decidir que projeto de país queremos construir e quais valores devem orientar o futuro do Brasil.
Peço que vocês examinem essa escolha à luz de sua consciência, de sua fé, de seus valores e, sobretudo, da realidade vivida por você e milhões de brasileiros.
A política não pode ser instrumento de ódio, vingança ou privilégio. Deve estar a serviço da vida. Governar é cuidar das pessoas, especialmente das que mais precisam para viver com dignidade.
Nos últimos anos, importantes políticas sociais demonstraram fazer diferença concreta na vida das famílias. Programas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, geração de empregos, expansão do acesso à educação, à saúde e à alimentação, além de iniciativas voltadas à agricultura familiar e à moradia, contribuíram para reduzir a pobreza e ampliar oportunidades.
Não devemos aceitar que milhões de brasileiros voltem a vivenciar a fome, o desemprego, a falta de atendimento médico ou a impossibilidade de oferecer aos filhos uma educação de qualidade. O desenvolvimento de um país não se mede apenas pelo tamanho de sua economia, mas pela qualidade de vida de seu povo.
É preciso, portanto, termos um governo comprometido com a redução das desigualdades, a defesa da democracia, a proteção da família, o respeito à liberdade religiosa e de consciência, e com políticas capazes de assegurar trabalho, segurança, saúde, educação, moradia e alimentação.
No dia 25 de outubro, vote com o pensamento voltado para crianças que necessitam de escolas, pelos jovens que procuram oportunidades de trabalho e de futuro, por trabalhadores que querem emprego digno ou chance de ter o seu próprio negócio de sucesso, pelos nossos idosos que precisam de cuidados e afeto, por famílias que lutam para colocar comida na mesa e por todos aqueles que esperam do poder público não favores, e sim direitos assegurados.
Peço a vocês um voto motivado pela verdade, pelo respeito ao próximo e pela justiça. Peço um voto consciente. Um voto que leve em conta não apenas discursos, mas trajetórias; não apenas promessas, mas resultados e ações concretas que beneficiaram o povo; não apenas interesses individuais, mas o destino coletivo do Brasil.
Deus abençoe o Brasil e ilumine nossa consciência para que saibamos escolher o caminho que conduza a uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.
Com amizade e confiança”


