Os eleitores de Portugal retornam às urnas neste domingo (8) para definir o próximo presidente da República. A decisão em segundo turno marca um momento incomum na história política recente do país, que vinha resolvendo as eleições presidenciais ainda na primeira votação havia quase quatro décadas.
No primeiro turno, realizado no mês passado, nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta necessária para vencer a disputa. António José Seguro ficou na liderança, com 31,1% dos votos válidos, seguido por André Ventura, que obteve 23,5%. O resultado refletiu um eleitorado fragmentado e encerrou a sequência de eleições presidenciais decididas em turno único desde 1986, quando Portugal teve, pela última vez, uma disputa em duas etapas.
Desde então, o país vinha escolhendo seus presidentes no primeiro turno, em eleições marcadas por ampla vantagem dos candidatos mais votados. A necessidade de um segundo turno em 2026 evidencia uma mudança no comportamento do eleitorado e no equilíbrio das forças políticas, com maior dispersão de votos e crescimento da polarização.
Pesquisas indicam vantagem de Seguro
As pesquisas de intenção de voto divulgadas nos dias que antecedem o segundo turno apontam vantagem consistente de António José Seguro. Levantamento da Universidade Católica Portuguesa, divulgado no fim de janeiro, indica que Seguro aparece com cerca de 56% das intenções de voto totais, enquanto Ventura soma aproximadamente 25%. Considerando apenas os votos válidos, a projeção aponta um cenário de 67% para Seguro contra 33% para Ventura.
Outros estudos, baseados em médias de sondagens e modelos estatísticos, confirmam a tendência de liderança do líder socialista, embora indiquem que a taxa de abstenção pode influenciar o resultado final. Ainda assim, analistas consideram que a distância observada nas pesquisas oferece vantagem confortável a Seguro na reta final da campanha.
Perfis opostos na disputa
A disputa coloca frente a frente dois perfis políticos distintos. António José Seguro, de 63 anos, é um nome conhecido da política portuguesa. Ex-secretário-geral do Partido Socialista, construiu sua trajetória associada a posições de centro e à defesa da estabilidade institucional. Na campanha do segundo turno, buscou se apresentar como uma opção de consenso, dialogando com eleitores moderados e com aqueles que apoiaram outros candidatos no primeiro turno.
André Ventura, de 43 anos, lidera o partido Chega e representa uma força política emergente no país. Com discurso crítico ao sistema político tradicional, o candidato ganhou projeção nacional nos últimos anos ao defender pautas ligadas ao endurecimento penal, à imigração e ao combate à corrupção. Apesar do crescimento eleitoral, Ventura enfrenta altos índices de rejeição, especialmente entre eleitores de centro e centro-esquerda.
Expectativa e impacto político
Embora o cargo de presidente em Portugal tenha funções majoritariamente institucionais, o chefe de Estado exerce papel relevante na condução política do país. Cabe ao presidente, entre outras atribuições, nomear o primeiro-ministro, vetar leis aprovadas pelo Parlamento e, em situações específicas, dissolver a Assembleia da República.
A eleição deste domingo encerra um ciclo considerado histórico, tanto pela retomada do segundo turno quanto pelo sinal de transformação no cenário político português. Independentemente do vencedor, o pleito de 2026 já é visto como um marco na democracia do país, ao revelar um eleitorado mais dividido e uma disputa presidencial mais competitiva do que nas últimas décadas.






