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Home Colunas

Douglas Orelhas dirigirá o Rio

Por Lenin Novaes
13 de outubro de 2026 - 08:02
em Colunas
Douglas Orelhas dirigirá o Rio

Douglas Ruas, governador eleito do Rio de Janeiro. (Reprodução)

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– Marineth, o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL – Partido Liberal), que é conhecido pelo apelido de Douglas Orelhas, prometeu, em campanha eleitoral, fazer recepção de honra ao ídolo político dele, o Mito pés de barro, Jair Bolsonaro, quando este deixar a prisão. Essa promessa, repetida várias vezes, em comícios, ocorreu, inclusive, de braços erguidos com Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, filiado àquela legenda partidária.

– Athaliba, a eleição dele foi ratificada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro – TRE-RJ -, em 1º turno, 10/10, com 50,88% dos votos válidos, depois da retotalização dos percentuais obtidos pelo candidato Anthony Garotinho (Republicanos). Domingo, 4/10, Douglas Orelhas terminou a contagem com 49,27% dos votos válidos, seguido por Eduardo Paes (Partido Social Democrático – PSD), com 42,27%. E, portanto, nesse cenário, a disputa iria para 2º turno.

– Exatamente, Marineth. No entanto houve uma reviravolta no processo, depois que o TSE – Tribunal Superior Eleitoral -, dia 8/10, determinou a anulação dos votos do terceiro candidato, Garotinho. Considerado inelegível, com direitos políticos suspensos por oito anos pelo TRE-RJ, ele (também apelidado Moleque da República dos Usineiros, como é conhecido o Munícipio de Campos dos Goytacazes) manteve a candidatura, apelando com recursos na Justiça Eleitoral.

– Athaliba, ele fora condenado por improbidade administrativa, enriquecimento ilícito de terceiros e dano ao erário, na época em que foi secretário de governo na gestão de sua mulher, a ex-governadora Rosinha Garotinho, nos anos 2005 e 2006. Bem, um dia após o 1º turno, porém, a defesa de Garotinho (ele teve 274.411 votos, 3,17%, que passaram a ser considerados nulos) pediu desistência do recurso e, assim, abriu caminho para a eleição de Douglas Orelhas.

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– Marineth, o excêntrico episódio é mais uma das bagunças na esfera política à qual o Rio de Janeiro está mergulhado. Os eleitores que cravaram votos nas urnas em Garotinho ficaram a ver navio, em decorrência da inoperância, ineficácia, ineficiência do poder judiciário. Por que ficou valendo a candidatura dele, com número da legenda partidária acompanhada da imagem na urna eletrônica? Total desrespeito à população fluminense, devastada pela criminalidade.

– Athaliba, ocê sabia que Nelson Ruas dos Santos, Capitão Nelson, prefeito do Município de São Gonçalo e pai do governador eleito do Rio de Janeiro, teve o nome citado no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI das Milícias – da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ –, em 2008? No entanto, porém, ele nunca foi indiciado, denunciado ou condenado pelas acusações. Sempre negou.

– Marineth, ele, inclusive, à época, teve a sua candidatura pelo Partido Avante deferida pelo TRE-RJ. A CPI das Milícias apontava suspeita de que ele era líder de um grupo de 14 policiais militares envolvidos na cobrança de taxas de segurança e de TV a cabo ilegal (gatonet) no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo. Dizia que as investigações da Polícia Federal e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas não comprovaram as acusações contra ele.

– Athaliba, o ex-PM Nelson Ruas, pai de Douglas Orelhas, serviu no 7º BPM – Batalhão de Polícia Militar -, em São Gonçalo, município o qual ele, atualmente, é prefeito, e onde mora desde criança. Designado para proteger a juíza Patrícia Acioli, não conseguiu impedir que a magistrada fosse executada com 21 tiros à queima-roupa na noite de 11 de agosto de 2011, na porta da casa dela, em Niterói. Assassinato praticado por PMs, sob ordem do ten.cel Cláudio Luiz de Oliveira.

– Marineth, a juíza Patrícia Acioli atuava na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, caracterizada por aplicar duras sentenças contra policiais corruptos. Recebia ameaça de morte e, por isso, vivia escoltada por seguranças. Os policiais militares a mataram por vingança, devido a atuação dela em relação a um grupo de PMs em São Gonçalo que praticavam homicídios e extorsões. O ten,cel Cláudio foi condenado a 36 anos de prisão. Também 11 PMs julgados foram condenados.

– Athaliba, o governador eleito, Douglas Orelhas, que tomará posse 6/1/2027, é policial civil, formado em Direito. Está, atualmente, presidente da ALERJ. Começou na política favorecido pelo pai, que o designou Secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo. E, em 2022, foi eleito deputado estadual pelo PL, com a segunda maior votação no estado. Abdicou do mandato, em 2023, para ser Secretário das Cidades do então governador Cláudio Castro.

– Marineth, reportagem da Revista Veja acusou Douglas Orelhas de privilegiar os redutos eleitorais dele e do pai em São Gonçalo com R$ 1,06 bilhão dos R$ 2,3 bilhões destinados àquela pasta. Depois da renúncia de Cláudio Castro e a cassação do mandato do presidente da ALERJ, Rodrigo Bacellar, preso acusado de integrar a facção criminosa Comando Vermelho, ele foi eleito presidente da assembleia. A tal eleição, agitada, boicotada pela oposição, foi anulada pelo TJ-RJ.

– Athaliba, mas, após a retotalização dos votos determinada pelo TRE-RJ, o TJ-RJ negou pedidos para adiar nova eleição. Permitiu a realização do pleito que elegeu Douglas Orelhas, em 17/4/2026, com 44 votos. Ele, porém, não pode assumir o governo do Rio, depois da renúncia de Castro, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, até última determinação. E o mandatário em exercício do Rio de Janeiro passou a ser o desembargador licenciado do TJ-RJ, Ricardo Couto.

– Marineth, o imbróglio político, centrado no Executivo, finalmente, poderá ser amenizado a partir da posse do novo governador eleito. A perspectiva é geral, pois não se divisa profundas mudanças no horizonte, à falta de programa bem elaborado de governo de Douglas Orelhas. Na linguagem dele, repetida, exaustivamente, na campanha, o Rio vai ser real (???) e não de show da Madona, em Copacabana. Não dá para apostar no vazio, né? Quem viver verá!!!

Tags: anthony garotinhoCapitão NelsonCláudio CastroCrônicas do AthalibaDouglas OrelhasDouglas RuasEduardo Paeseleições 2026Flávio BolsonaroJair BolsonaroLenin NovaespolíticaRio de JaneiroTRE-RJTSE
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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