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Diferença de quase 7 mil votos entre Marília e Áurea em Itabira pode refletir rejeição à esposa do prefeito Marco Antônio Lage

Marília Campos recebeu 23.936 votos, contra 16.941 de Áurea Carolina, ambas apoiadas por Lula. Presença de Raquell Guimarães como primeira suplente de Áurea provocou manifestações contrárias nas redes sociais e reforça questionamentos sobre o desgaste político do prefeito, cujo candidato a deputado federal obteve apenas 579 votos.

Por Geraldo Ribeiro
19 de outubro de 2026 - 12:52
em Cidades
Diferença de quase 7 mil votos entre Marília e Áurea em Itabira pode refletir rejeição à esposa do prefeito Marco Antônio Lage

Reprodução / Redes Sociais

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As eleições de 2026 deixaram um resultado difícil de comemorar para o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB). Apesar de ter conquistado a reeleição com aproximadamente 76% dos votos, o chefe do Executivo municipal não conseguiu transformar sua força eleitoral em votos para os candidatos a deputado que apoiou. O exemplo mais expressivo foi o de Sávio Souza Cruz (Rede), candidato a deputado federal, que recebeu apenas 579 votos em Itabira.

O resultado chama atenção porque Sávio, político experiente e com trajetória na política mineira, não possui uma base eleitoral própria consolidada no município. Sua campanha em Itabira contou com o apoio do prefeito, que pediu votos ao candidato em suas redes sociais e entre seus aliados. Sem uma ligação política significativa com a cidade, a expectativa de votação estava diretamente associada à capacidade de Marco Antônio de transferir votos.

Os 579 votos, equivalentes a apenas 0,91% dos votos válidos para deputado federal no município, colocaram Sávio na 19ª posição entre os candidatos mais votados em Itabira. O desempenho levanta uma questão central: o que aconteceu com a influência política de um prefeito que, há apenas dois anos, havia conquistado uma reeleição tão expressiva?

A votação de Sávio ganha ainda mais significado quando comparada com a de candidatos que construíram suas próprias bases eleitorais na cidade. Bernardo Mucida (Avante), por exemplo, recebeu 9.061 votos para deputado federal, enquanto o vereador Luiz de Ipoema (Podemos) conquistou 8.362 votos para deputado estadual. Ambos ficaram muito à frente dos candidatos associados ao grupo do prefeito.

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Outro resultado que merece atenção é o de Núbia Citty (Rede). Advogada, nascida e criada em Itabira, com relações pessoais e profissionais construídas ao longo dos anos, ela recebeu 5.280 votos no município. Ficou atrás de Luiz de Ipoema e Danilo Alvarenga, que conquistou 5.545 votos.

Diferentemente de Sávio, Núbia não dependia exclusivamente do apoio de Marco Antônio para conquistar eleitores. Sua trajetória pessoal e profissional já lhe garantia reconhecimento na cidade. Por isso, a votação também permite uma leitura inversa: até que ponto a associação com o prefeito pode ter dificultado a conquista de novos apoios?

A hipótese encontra respaldo em manifestações de eleitores que declararam resistência à candidatura em razão de sua ligação com o governo municipal. Não é possível determinar quantos votos essa rejeição representou, mas o resultado coloca em discussão se o apoio de Marco Antônio, antes visto como um importante recurso eleitoral, passou a representar um obstáculo para alguns de seus aliados.

O desgaste também aparece no desempenho do vice-prefeito Marco Antônio Gomes (PRD), conhecido como Dr. Marco Antônio. Médico respeitado na cidade, pastor evangélico e morador de Itabira há décadas, ele recebeu apenas 1.430 votos no município na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

O vice-prefeito possui uma trajetória pessoal que ultrapassa sua ligação com o atual governo. Ainda assim, nem o reconhecimento profissional nem a posição que ocupa na administração foram suficientes para produzir uma votação razoável.

Marília e Áurea: o apoio de Lula e o peso da primeira-dama

O resultado da disputa pelo Senado oferece outro elemento para avaliar a influência política do prefeito. Após a eleição, Marco Antônio utilizou suas redes sociais para comemorar os 16.941 votos recebidos por Áurea Carolina (PSOL) em Itabira. A candidata, porém, tinha um apoio político de alcance muito maior: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato mais votado à Presidência no município.

A comparação com Marília Campos (PT), também apoiada por Lula, é reveladora. Marília conquistou 23.936 votos em Itabira, enquanto Áurea recebeu 16.941. A diferença foi de 6.995 votos, embora ambas integrassem o mesmo campo político e disputassem as duas vagas disponíveis para Minas Gerais no Senado.

Por que duas candidatas apoiadas pelo mesmo presidente, com possibilidade de receber votos do mesmo eleitor, tiveram resultados tão diferentes em Itabira?

Uma das explicações levantadas durante a campanha envolve a presença de Raquell Guimarães (Rede), esposa do prefeito Marco Antônio Lage, como primeira suplente de Áurea Carolina. Nas redes sociais, a composição da chapa provocou manifestações contrárias de eleitores que declararam não votar na candidata justamente para evitar que a primeira-dama pudesse chegar ao Senado.

A presença de Raquell na chapa foi confirmada no registro eleitoral. Caso Áurea tivesse sido eleita, sua primeira suplente poderia assumir o mandato nas hipóteses previstas na legislação.

A diferença de quase 7 mil votos não permite afirmar que todos esses eleitores rejeitaram Áurea por causa da primeira-dama. Entretanto, a comparação ganha relevância diante das manifestações contrárias à composição da chapa e dos resultados obtidos pelos demais candidatos associados à administração municipal.

Há ainda uma contradição política que merece atenção. Enquanto Marco Antônio comemorou a votação de Áurea, candidata que também contou com o apoio de Lula e de outras lideranças, o desempenho de Sávio Souza Cruz, seu candidato a deputado federal, oferece uma medida mais direta de sua capacidade de mobilização eleitoral em Itabira.

De uma vitória expressiva a um resultado que exige explicações

O contraste com a trajetória de Marco Antônio Lage é significativo. Em 2019, quando seu nome começou a ser apresentado como alternativa à Prefeitura de Itabira, o então pré-candidato aparecia com apenas 0,3% das intenções de voto em levantamento do DataMG. Naquele momento, Bernardo Mucida liderava a pesquisa com 22,1%, seguido pelo ex-prefeito João Izael, com 8,5%.

Mucida desistiu da disputa e apresentou Marco Antônio como alternativa. O grupo político que já estava organizado para enfrentar a administração municipal acabou contribuindo para a eleição do novo candidato, que chegou à Prefeitura em 2020.

A relação com parte dessas lideranças, entretanto, deteriorou-se após a vitória. Antigos aliados passaram a manifestar publicamente insatisfação com o tratamento recebido e com o afastamento político promovido pela administração.

Marco Antônio conseguiu superar esse desgaste nas eleições municipais seguintes, conquistando a reeleição com votação expressiva. Mas o resultado de 2026 apresenta um cenário diferente: o prestígio pessoal que o reelegeu não se reproduziu nas candidaturas que apoiou.

A situação também reacende questionamentos sobre a condução política da Prefeitura, a relação com antigos aliados e a capacidade do governo de manter sua base eleitoral.

Itabira terminou mais uma eleição sem conquistar representação própria na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Entre os vários fatores que ajudam a explicar esse resultado está a fragmentação dos grupos políticos locais, incapazes de construir uma candidatura de consenso.

Para Marco Antônio, porém, o balanço tem um significado particular. Um prefeito reeleito com cerca de 76% dos votos, que mobilizou sua estrutura política em favor de um candidato a deputado federal, viu esse candidato receber apenas 579 votos na cidade que administra.

O resultado não mede sozinho a aprovação de seu governo, mas expõe a distância entre vencer uma eleição para prefeito e conseguir transferir prestígio político a um aliado. É essa distância que Marco Antônio Lage terá de explicar diante das urnas de 2026.

Tags: Áurea CarolinaCâmara dos Deputadoseleições 2026ItabiraMarco Antônio LageMarília CamposNúbia CittyPolítica de ItabiraRaquell GuimarãesSávio Souza CruzSenado Federal
Geraldo Ribeiro

Geraldo Ribeiro

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