O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira (3) que não disputará o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A decisão encerra semanas de incertezas que marcaram a pré-campanha no Estado e altera significativamente o cenário da sucessão mineira, já que o parlamentar liderava as pesquisas de intenção de voto, mas nunca oficializou sua candidatura dentro do prazo esperado pelo próprio partido.
A desistência foi anunciada após uma reunião com a direção nacional e estadual do Republicanos. Nos últimos dias, Cleitinho chegou a afirmar publicamente que seria candidato, mesmo depois de o partido declarar apoio ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP). A mudança de posição põe fim ao impasse que travava as articulações do campo de centro-direita em Minas.
A indefinição do senador já havia provocado desconforto entre aliados. O Republicanos aguardou por meses uma decisão definitiva, adiou definições estratégicas e acabou deixando de homologar sua candidatura na convenção estadual, justamente porque Cleitinho não confirmou formalmente que aceitaria disputar o Palácio Tiradentes. Posteriormente, a legenda divulgou uma nota pública afirmando que “o partido esteve pronto”, mas que faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.
Mesmo sem ter sido oficializado candidato, Cleitinho aparecia como favorito nas pesquisas. Levantamento Genial/Quaest divulgado na semana passada atribuía ao senador 35% das intenções de voto, bem à frente dos demais concorrentes. O desempenho reforçava a expectativa de que ele seria o principal nome da direita mineira na disputa estadual.
Disputa fica mais aberta
A saída de Cleitinho muda completamente o desenho da eleição para o Governo de Minas. Sem o líder das pesquisas na corrida, a disputa tende a se tornar mais equilibrada entre os candidatos já confirmados pelas convenções partidárias.
No campo governista, o governador Mateus Simões (PSD) buscará a reeleição com o apoio da base construída pelo ex-governador Romeu Zema. Já a oposição terá como principais nomes o deputado federal Patrus Ananias (PT), representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), que passou a ser o nome apoiado pelo Republicanos após o recuo de Cleitinho.
A tendência é que os votos antes atribuídos ao senador sejam disputados principalmente entre Marcelo Aro e Mateus Simões, que buscam o eleitorado de centro-direita, enquanto Kalil e Patrus concentram forças no campo de oposição ao atual governo estadual.
Fim de uma novela política
A desistência encerra uma das principais novelas da pré-campanha mineira. Desde o início do ano, Cleitinho alternou declarações indicando que disputaria o governo com momentos de recuo, alimentando especulações tanto no Republicanos quanto no PL, que chegou a adiar definições em Minas à espera de uma resposta definitiva do senador.
Com a decisão anunciada, o cenário eleitoral entra em uma nova fase. Pela primeira vez desde o início das articulações, os principais grupos políticos passam a trabalhar com um quadro mais definido, concentrando as estratégias nos candidatos oficialmente homologados para a disputa pelo Palácio Tiradentes.


