Um forte temporal que atingiu Juiz de Fora desde o fim da tarde de segunda-feira (23) resultou em pelo menos 16 mortes confirmadas, cerca de 440 pessoas desabrigadas e dezenas de ocorrências de soterramento, levando a prefeitura a decretar estado de calamidade pública na madrugada desta terça (24). O volume acumulado de chuva, de 584 milímetros até agora, faz deste fevereiro o mês mais chuvoso já registrado na história da cidade.
As equipes de resgate seguem mobilizadas, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e da Defesa Civil, em ações de busca por desaparecidos e atendimento emergencial às famílias afetadas.
Bairros mais atingidos e detalhes das ocorrências
Segundo balanços oficiais, as mortes foram registradas em sete endereços distintos da cidade: no bairro JK e no Santa Rita foram contabilizados quatro óbitos em cada local; dois em Vila Ideal; e um em cada um dos bairros Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.
Um dos pontos de maior gravidade é o Parque Jardim Burnier, onde um deslizamento de encosta envolvendo 12 imóveis foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros. Nove pessoas foram resgatadas com vida no local, mas as buscas por outros desaparecidos — estimados em 17, inclusive crianças — continuam em andamento.
Impactos da chuva e bloqueios de infraestrutura
O temporal provocou o transbordamento do Rio Paraibuna e vários córregos, resultando em alagamentos generalizados, deslizamentos de terra e desabamentos de estruturas. Áreas de risco geológico foram identificadas em diferentes setores da cidade.
Pontes e trechos importantes, como a Ponte Vermelha e o mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco, que ligam bairros ao Centro, tiveram circulação interrompida por causa da água em nível elevado e árvores caídas.
Calamidade pública e medidas adotadas
O decreto de estado de calamidade publicado pela prefeitura tem vigência inicial de 180 dias e visa facilitar a mobilização de recursos estaduais e federais para atendimento às vítimas e reconstrução das áreas afetadas. A prefeita Margarida Salomão determinou também a suspensão das aulas em toda a rede municipal e orientou que a população saia de casa somente em casos estritamente necessários.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Salomão afirmou que as equipes de emergência estão trabalhando de forma intensa para resgatar pessoas ilhadas e atender chamados de risco iminente. A Defesa Civil orienta a população a buscar abrigo seguro em caso de sinal de instabilidade de encostas ou surgimento de rachaduras em terrenos próximos.
Chamadas emergenciais e resposta dos bombeiros
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, as equipes do Corpo de Bombeiros responderam a mais de 40 chamados emergenciais durante a madrugada, incluindo deslizamentos, moradores ilhados, obstruções de vias e risco de desabamento de edificações. Mais de 20 militares, além de equipes especializadas do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres, estão mobilizados, alguns com apoio de cães farejadores.
A previsão meteorológica indica a possibilidade de novas pancadas de chuva nos próximos dias, o que mantém o município em estado de alerta.
>>Matéria atualizada às 11h41






