A morte do cão comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, tem provocado forte comoção e mobilização social na Praia Brava, no Norte de Florianópolis. O caso reúne moradores, organizações de proteção animal, artistas e autoridades públicas em torno da cobrança por esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos.
A Polícia Civil de Santa Catarina identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de participação nas agressões que levaram à morte do animal. Na manhã desta segunda-feira (26), a corporação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, como parte do avanço das apurações.
Segundo relatos de moradores, Orelha estava desaparecido havia alguns dias. Durante uma caminhada, uma das pessoas que cuidavam do cachorro o encontrou caído e agonizando. O animal foi recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia.
Suspeitos e apuração policial
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram identificados a partir da análise de câmeras de segurança e de depoimentos colhidos na região. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, afirmou que todos os possíveis envolvidos já foram identificados e que a investigação segue em andamento.
Também é apurada a denúncia de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. A delegada confirmou que a informação está sendo analisada, mas negou qualquer envolvimento de policial no crime em si.
Acompanhamento do Ministério Público
No domingo (25), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que acompanha o caso por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital (Meio Ambiente). Segundo o órgão, diversas pessoas já foram ouvidas e novas oitivas estão previstas para os próximos dias.
Ainda no domingo, o governador Jorginho Mello (PL) se manifestou nas redes sociais. Em publicação no X, afirmou que a investigação segue em curso e informou que o caso foi redistribuído, após a juíza inicialmente responsável se declarar impedida.
Protestos e repercussão nacional
Desde a confirmação da morte de Orelha, a mobilização cresceu. Moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal vêm realizando atos públicos e campanhas por justiça.
No sábado (24), um protesto reuniu dezenas de pessoas na Praia Brava. Vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com a frase “Justiça por Orelha”, os participantes caminharam acompanhados de seus cães e realizaram uma oração em homenagem ao animal.
A repercussão também se espalhou pelas redes sociais, com imagens de moradores e protetores segurando placas com a hashtag #JustiçaPorOrelha ao lado de seus animais.
No domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando a morte do cão e cobrando providências das autoridades.
“Quem faz isso com um animal inocente tende a repetir esse modelo de violência com outros seres vivos. A gente precisa estar atento a isso”, afirmou.
O caso Orelha reacende o debate sobre maus-tratos contra animais, responsabilidade penal de adolescentes e a proteção de cães comunitários em áreas públicas.






