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Home Colunas

CASA CAVÉ, UMA JÓIA DO RIO

Por Ediel Ribeiro
5 de fevereiro de 2026 - 16:18
em Colunas
CASA CAVÉ, UMA JÓIA DO RIO

Crédito: Fulviusbsas | Wikimedia Commons

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Rio – No Rio de Janeiro, poucos estabelecimentos são tão icônicos e memoráveis quanto a Casa Cavé, a cafeteria mais antiga da cidade.

Há mais de um século e meio a Casa Cavé é parada obrigatória para quem visita o centro da cidade do Rio de Janeiro. Espaço de encontro para tomar chá, café, bater papo e vivenciar momentos da vida elegante do Rio antigo.

Ontem, fomos, eu e a Sheila, conhecer a casa.

Entrar na Cavé é voltar ao passado e reviver um pouco da Belle Époque Carioca, quando o Rio vivia uma intensa e efervescente vida cultural e artística. A cafeteria sempre foi frequentada pela intelligentsia carioca. Nos dias de grande movimento, pessoas comuns se misturavam com a vanguarda intelectual e artística da cidade nos salões da Cavé. Olavo Bilac, Chiquinha Gonzaga, Carlos Drummond de Andrade, Tarsila do Amaral e o prefeito Pereira Passos eram habitués da casa.

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Uma curiosidade: plaquinhas fixadas nas laterais das mesas do salão principal trazem uma breve descrição de alguns desses frequentadores ilustres.

A experiência de visitar a Cavé começa pelos dois salões – salão personalidade e salão radiante – que preservam a arquitetura e a decoração original, com lustres e vitrais vindos da França. Destacam-se ainda o tradicional painel de azulejos com a Torre de Belém e os vidros e vitrais franceses coloridos no teto; as luminárias brasileiras; as cadeiras e mesas de madeira projetadas por Francisco Puigdomenech Colom (1868-1937), um imigrante espanhol radicado no Brasil e, além, claro, das formas geométricas nos pisos e paredes que remetem às formas de sorvetes, uma das especialidades da cafeteria.

A Casa Cavé está fazendo 166 anos este ano. O espaço que mantém seu charme enquanto se adapta aos tempos modernos, foi fundado por Auguste Charles Felix Cavé, um imigrante francês, no dia 5 de março de 1860. Até hoje, a confeitaria e doceria é a mais antiga do Rio e conserva aspectos do Rio Antigo. O fundador ficou à frente do negócio até 1922, dois anos antes de sua morte.

Embora a casa tenha sido fundada por um francês e lembre os cafés parisienses, o lugar é famoso por doces e sorvetes portugueses. No cardápio, destacam-se os Pastéis de Nata; o Toucinho do Céu (de amêndoas) e o Dom Rodrigo (fios de ovos e canela) os hits dali.

Esse bastião de cultura europeia numa cidade que se modernizava na passagem do século XIX para o século XX, converteu a confeitaria em espaço elegante, frequentado pela sociedade carioca. O antigo edifício rosado da confeitaria na Rua Sete de Setembro, esquina com a Rua Uruguaiana, no Centro da cidade, destaca-se ainda hoje pela sua arquitetura.

No ano do centenário de fundação da casa, a questão da conservação do seu património arquitetônico tornou-se um problema para os atuais proprietários, em particular quando, na década de 1980, a prefeitura instituiu o projeto do “corredor cultural”, visando à proteção e ao tombamento de dezenas de imóveis históricos no Centro da cidade. Com isso, não foi possível a ampliação da cozinha da casa, necessária para o atendimento da seleta clientela.

Por essa razão, a casa viu-se forçada a fechar temporariamente as suas portas no tradicional endereço, reabrindo em imóvel próximo (no número 137 da Rua Sete de Setembro – onde funcionava a Chapelaria ‘A Radiante’). Entre 2007 e 2014, o prédio histórico no número 133 foi ocupado temporariamente por outra tradicional confeitaria da cidade, a ‘Manon’ – a unidade principal que funciona na Rua do Ouvidor, 187, no Centro, desde 1942, serviu recentemente de cenário do filme “Ainda Estou Aqui” (2024).

Quinze anos depois, em 2015, a Casa Cavé voltou a ocupar seu tradicional endereço, no prédio tombado na esquina da Rua Sete de Setembro com Uruguaiana, onde funciona hoje.

Por fim, um aviso: os preços são salgados – mas vale a visita.

Tags: cafés históricosCasa CavéColuna do Edielcultura cariocagastronomiamemória urbanapatrimônio históricoRio de Janeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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