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Home Colunas

BOLSONARO E O CARTÃO CORPORATIVO

Por Ediel Ribeiro
20 de maio de 2020 - 06:21
em Colunas

ARTE - NANI

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Rio de Janeiro – Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha – e muito – é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).

Ligado à Secretaria de Comunicação – SECOM – o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial Fabio Wajngarten.

Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.

O governo de Jair Bolsonaro já mudou de ideia, desmentiu ou recuou de decisões que estavam tomadas ou anunciadas, tantas vezes que o setor de comunicação do governo está em pânico.

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Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.

Bolsonaro acredita que foi eleito “dono” do Brasil. Não foi.

Quando o secretário Fabio Wajngarten entrou na sala da presidência, no Palácio do Planalto, o presidente estava gritando ao telefone.

– Não vou mostrar nada a ninguém, talkey? Isso é falta de caráter dessa imprensa marronzista, talkey? – berrou.

– O que houve presidente? Estão querendo que o senhor mostre a facada?

– Pior. Essa imprensa esquerdista agora está tentando denegrir a imagem do meu governo só porque eu gastei a mixaria de R$ 3,760 milhões com o meu cartão corporativo.
– Mas, presidente, esse valor representa um aumento de 98% em relação à média dos últimos cinco anos no mesmo período. São quatro vezes mais!!

– Essa imprensa marronzista esquece que eu gastei R$ 739.598,00 mil com os três aviões que foram a China buscar os brasileiros que estavam em Wuhan. Retirando essas despesas extraordinárias, meus gastos seguem abaixo da média dos anos anteriores. 

– Desculpe, presidente, mas mesmo abatendo o valor com os voos para a China, ainda temos um gasto de mais de R$ 3 milhões que representam uma alta de 59% em relação à média do que gastaram Dilma Rousseff e Michel Temer, seus antecessores no cargo.

– E daí? O Lula comprava cachaça. Eu comprei uísque e vinhos finos para renovar a adega do Palácio do Alvorada – disse Bolsonaro, tentando, mais uma vez, justificar a elevação de gastos com o cartão corporativo.

– É que o senhor elegeu-se presidente à sombra dos discursos da austeridade, da ética e da moralidade. Esses seus ataques sistemáticos a imprensa fica parecendo desespero de quem tem algo a esconder.

– Eu não tenho nada a esconder , talkey? – gritou. – Tão me acusando de esconder a facada, de esconder o Queiroz, de esconder o assassino da Marielle, de esconder o resultado do teste para o coronavírus… Daqui a pouco vão me acusar de esconder aquele astronauta que eu nomeei ministro-não-sei-do-quê.

– Por falar nisso, cadê ele, presidente? Ele anda mais sumido que a Regina Duarte e o Queiroz – disse o secretário, escondendo o riso por trás da máscara.

– Eu não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, talkey?

– Quer que a secretaria de comunicação solte uma nota desmentindo que o senhor tenha gasto todo esse dinheiro?

– Não. Melhor eu ir lá no “cercadinho” explicar isso pro povo. Vou criticar essa ideia da imprensa de que eu devo mostrar o extrato do cartão. Você acha que eles vão me apoiar?

– Pode ser , mas lembre-se que, antes de ser eleito, o senhor foi crítico ferrenho dos gastos com cartões corporativos e, principalmente, do sigilo dos extratos. O senhor chegou a desafiar o ex presidente Lula a “abrir os gastos” com o cartão.

– Eu estava preocupado que o Lula quebrasse o país usando o cartão pra tomar cachaça, talkey! Vou lá no “cercadinho” – disse o presidente calçando os chinelos.

– Outra coisa, presidente…Pede para seus apoiadores evitarem fazer aquela saudação nazista, tá pegando mal. Até o Olavo de Carvalho já criticou, aconselhou o secretário.

– Talkey!

– Outra coisa, vá de máscara, assim, caso o senhor ria, enquanto tenta justificar seus gastos, eles não vão perceber.

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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