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Home Notícias Economia

Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos de outros países

Projeto permitiria transferências internacionais em poucos segundos e com recursos recebidos na moeda local; BC também planeja Pix offline e novas ferramentas contra fraudes

Por Redação
10 de agosto de 2026 - 19:56
em Economia

Foto: Bruno Peres/ABR. 

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O Pix poderá, no futuro, ser utilizado de forma integrada a sistemas oficiais de pagamentos instantâneos de outros países. O Banco Central (BC) estuda modelos para permitir a realização de transferências internacionais e pagamentos entre diferentes moedas de maneira rápida e com custos menores.

A possibilidade faz parte da agenda de evolução do sistema apresentada nesta segunda-feira (10) no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025.

Segundo o Banco Central, estão sendo avaliadas tanto conexões diretas com sistemas de determinados países quanto a participação do Brasil em estruturas multilaterais capazes de integrar diferentes plataformas de pagamentos instantâneos.

“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais”, informou o BC.

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Na prática, uma eventual integração poderia permitir que uma pessoa no Brasil enviasse dinheiro para outro país por meio de uma estrutura conectada ao Pix e o destinatário recebesse os recursos em sua própria moeda.

De acordo com o Banco Central, essas operações poderiam ser concluídas em poucos segundos.

Pix internacional ainda está em estudo

Apesar das possibilidades apresentadas, a integração internacional ainda não está disponível como uma funcionalidade oficial do Pix.

O Banco Central informou que acompanha modelos de transações internacionais envolvendo o Pix que vêm sendo desenvolvidos por empresas brasileiras e estrangeiras, ao mesmo tempo em que avalia alternativas para uma integração entre sistemas oficiais.

A internacionalização poderia reduzir custos relacionados às remessas de dinheiro para outros países e ampliar o acesso da população a pagamentos internacionais.

Atualmente, transferências internacionais normalmente envolvem instituições intermediárias, conversão de moedas e diferentes tarifas.

A integração de sistemas de pagamentos instantâneos busca diminuir parte dessa complexidade.

Pix poderá funcionar sem internet

Outra possibilidade estudada pelo Banco Central é permitir pagamentos por aproximação mesmo quando o usuário estiver sem conexão com a internet.

O chamado Pix offline pretende ampliar as situações em que o sistema pode ser utilizado, principalmente em locais com conexão limitada ou instável.

O BC também pretende ampliar a utilização do Pix Automático como alternativa ao tradicional débito em conta.

A modalidade permite programar pagamentos recorrentes, como mensalidades e cobranças periódicas, por meio da infraestrutura do Pix.

Recebimentos futuros poderão virar garantia de empréstimos

Outra frente estudada envolve a integração do Pix ao mercado de crédito.

O Banco Central avalia permitir que empresas utilizem seus recebimentos futuros pelo Pix como garantia para operações de financiamento.

A lógica se aproxima de mecanismos já existentes em outros meios de pagamento, nos quais receitas futuras podem ajudar uma empresa a conseguir melhores condições para contratar crédito.

Segundo o BC, a utilização dos “fluxos futuros de Pix” poderá melhorar a qualidade das garantias apresentadas às instituições financeiras e contribuir para a redução dos juros, principalmente para empresas que recebem parcela significativa de suas vendas pelo sistema.

BC quer reforçar combate às fraudes

A expansão das funcionalidades será acompanhada de mudanças na segurança.

O Banco Central prevê oito medidas para aprimorar a prevenção e o combate às fraudes envolvendo o Pix.

Uma delas é estabelecer critérios mínimos e objetivos para que determinadas operações sejam consideradas suspeitas.

Atualmente, cada instituição financeira adota suas próprias políticas. Para o BC, essa diferença pode fazer com que operações que mereceriam uma análise adicional sejam autorizadas sem avaliação mais cuidadosa.

O Banco Central cita como exemplo transferências de valores elevados realizadas fora do horário comercial.

Inteligência artificial para calcular risco de fraude

Entre as mudanças mais relevantes está a criação de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”.

A proposta é que o Banco Central calcule o risco em tempo real para as transações realizadas pelo sistema.

O indicador será desenvolvido utilizando um modelo de machine learning, tecnologia relacionada à Inteligência Artificial, e poderá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentar seus sistemas de prevenção a fraudes.

Também estão previstas a padronização de alertas de fraude e uma comunicação mais rápida entre instituições financeiras quando houver necessidade de bloqueio cautelar de uma operação suspeita.

O objetivo é permitir que bancos e demais participantes troquem informações de forma automatizada para aumentar a capacidade de identificar movimentações fraudulentas.

Mensagens pelo Pix também estão na mira do BC

O campo destinado a mensagens nas transferências também poderá passar por mudanças.

Segundo o Banco Central, a ferramenta, criada originalmente para permitir a inclusão de informações relacionadas à transação, passou a ser utilizada em alguns casos para enviar ofensas, ameaças e intimidações.

Uma prática identificada envolve transferências de valores muito pequenos feitas apenas para possibilitar o envio das mensagens.

Um grupo de trabalho foi criado para analisar o problema e propor alternativas.

Depois dessa avaliação, o BC poderá adotar medidas regulatórias para restringir o uso inadequado da ferramenta.

Pix no centro de disputa com os Estados Unidos

Os planos de expansão do Pix surgem em um momento no qual o sistema brasileiro também ganhou dimensão internacional por razões políticas e comerciais.

O mecanismo entrou nas discussões entre Brasil e Estados Unidos em meio às medidas comerciais adotadas pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.

Washington incluiu aspectos relacionados aos serviços de pagamentos eletrônicos brasileiros entre as práticas comerciais que passaram a ser questionadas.

O governo brasileiro rejeita a interpretação de que o Pix represente uma prática comercial desleal.

Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o sistema mudou profundamente a maneira como os brasileiros realizam pagamentos e transferências, reduzindo a utilização de outros instrumentos e aumentando a competição no setor financeiro.

Agora, com os estudos sobre conexões internacionais, pagamentos offline, utilização de recebimentos como garantia de crédito e novos sistemas antifraude, o Banco Central prepara uma nova etapa de expansão do Pix.

A maioria dessas funcionalidades, entretanto, ainda está em desenvolvimento ou avaliação e não possui cronograma definitivo para chegar aos usuários.

Tags: Banco CentralcréditoeconomiafraudesInteligência ArtificialpagamentosPixPix internacionalPix offlinesistema financeiroTecnologia
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