O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida comercialmente como Will Bank, braço digital do extinto Banco Master. A decisão amplia o impacto do processo de intervenção que atingiu o grupo financeiro desde o final de 2025 e tem como base o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição controlada pelo Master.
A liquidação extrajudicial é um procedimento adotado pelo BC quando verifica que a instituição não possui condições de recuperação e representa risco ao sistema financeiro. No caso do Will Bank, o Banco Central informou que a medida se tornou “inevitável” após a empresa descumprir compromissos financeiros com o arranjo de pagamentos da Mastercard, que chegou a suspender a aceitação de cartões emitidos pela fintech.
Uma crise que começou com o Master
O Will Bank estava sob regime de administração especial temporária (Raet) desde novembro de 2025, quando o Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial por graves problemas de liquidez e gestão, incluindo suspeitas de fraudes em carteiras de crédito e emissão de títulos sem lastro.
O Banco Master e suas controladas começaram a ser investigados após denúncias e ações da Polícia Federal, envolvendo operações que resultaram em prejuízos bilionários e questionamentos sobre a solidez dos ativos da instituição.
A decisão de liquidar o Will Bank prolonga a intervenção do BC no grupo Master e amplia os efeitos da crise, que agora atinge não apenas o banco tradicional, mas também o braço digital que oferecia conta e cartão em plataformas tecnológicas.
Impactos e mecanismos de liquidação
Com a liquidação, a Will Financeira sai formalmente do sistema financeiro nacional. O procedimento prevê a nomeação de um liquidante, responsável por administrar os ativos remanescentes e coordenar o pagamento de credores, dentro dos limites legais.
A medida também interfere em operações de clientes: recentemente, a Mastercard suspendeu a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank, em função do descumprimento de obrigações contratuais pela instituição, o que acelerou a deterioração de sua operação.
A liquidação extrajudicial não significa um calote automático em todos os compromissos financeiros da instituição, mas indica que a empresa não terá continuidade operacional. O processo de pagamentos a clientes e credores seguirá regras estabelecidas pelo BC e pode envolver recursos do Fundo Garantidor de Créditos em casos específicos previstos na legislação bancária.
Até o momento, não há posição oficial de representantes da antiga administração do Will Bank ou dos controladores sobre a medida tomada pelo Banco Central.






